Política

‘Além de mentiroso, revela-se um insano homicida-suicida’, diz Temer sobre Janot

Segundo ex-procurador-geral, Temer teria pedido para que Janot arquivasse investigação contra Cunha

O ex-presidente Michel Temer — acusado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de ter pedido o arquivamento da investigação contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha — afirmou em nota na tarde desta sexta-feira que Janot, “além de mentiroso contumaz, revela-se um insano homicida-suicida”.

A manifestação do presidente, por meio de nota, ocorreu após o antigo Procurador-Geral revelar que entrou no Supremo Tribunal Federal armado e com o objetivo de matar o ministro Gilmar Mendes , com quem trocava farpas no auge da Operação Lava-Jato.

Janot também relatou um encontro com o então vice-presidente, Michel Temer, o ex-deputado Henrique Eduardo Alves e o ex-ministro da Justiça Eduardo Cardozo no Palácio do Jaburu. Na reunião, Eduardo Alves teria apelado ao “patriotismo” de Janot para que o procurador-geral arquivasse a investigação contra Eduardo Cunha e, consequentemente, acalmasse o presidente da Câmara.

“Eles queriam que eu praticasse um crime, o de prevaricação. Falei alguns palavrões indizíveis antes de ir embora”, disse o ex-procurador à revista “Veja”.

O presidente Michel Temer, em comunicado, negou tal encontro.

“O ex-procurador Janot, além de mentiroso contumaz e desmemoriado, revela-se um insano homicida-suicida. As ocasiões em que esteve comigo foram para detratar e desmoralizar os possíveis integrantes de lista tríplice para Procurador-Geral da República e para sugerir que nomeasse alguém fora da lista. Não merece consideração”.

A declaração de Janot gerou a reação de várias autoridades, como o ministro Gilmar Mendes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O parlamentar participou de um evento na Fundação Getúlio Vargas e, no meio de seu discurso, citou o episódio revelado por Janot.

Mas é um país estranho que cada dia é uma novidade. Hoje, descobrimos que o procurador-geral da República queria matar o ministro do Supremo. Então, quem vai querer investir num país desse? Você ia querer investir? – questinou Maia, acrescentando: – Fico pensando: pelo menos a PF já deve ter tirado o porte de arma dele. Pelo menos isso para a gente ficar um pouco mais tranquilo.

Michel Temer, já presidente, foi alvo de duas denúncias formuladas por Rodrigo Janot antes de o procurador deixar o cargo. As acusações foram feitas com base no acordo de delação premiada firmado com os irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na ocasião, durante uma ação controlada feita pela Polícia Federal, o auxiliar de Temer, Rodrigo Rocha Loures, foi filmado recebendo uma mala de dinheiro com propina que teria negociado para o presidente. O emedebista também foi gravado em conversa com Joesley Batista, na qual o empresário fala do pagamento de parcelas mensais a Eduardo Cunha em troca do silêncio do ex-deputado na prisão.

 

Via
O Globo
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