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Aos 87 anos, morre o empresário Julio Bogoricin, referência no mercado imobiliário do Rio

Ele morreu em Nova York, onde vivia desde a década de 1980, de insuficiência cardíaca e respiratória. Deixa três filhos, oito netos e três bisnetos

RIO — Referência no mercado imobiliário do Rio de Janeiro, o empresário Julio Bogoricin morreu na madrugada deste sábado, aos 87 anos, por insuficência cardíaca e respiratória no Hospital Mount Sinais, em Nova York, cidade onde vivia desde 1983. Ele deixa três filhos, oito netos e três bisnetos.

Filho de imigrantes russos, o carioca Julio Bogoricin abriu sua imobiliária num endereço modesto na Rua da Assembleia, em 1956, para se tornar um dos nomes mais conhecidos do setor. Nascido em 1933, o torcedor do Fluminense e ávido colecionador de arte brasileira era apontado como personagem central para a consolidação do segmento.

— Eu conheci o Julio quando tinha 21 anos, quando comecei a trabalhar com ele como corretor. Fui gerente, diretor e sócio dele, antes de montar a minha própria empresa — relembra Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel. — Julio foi um dos formadores do mercado imobiliário, eu vim na geração seguinte. Ele faz parte da minha vida, faz parte da minha história.

O início não foi fácil. O empresário dividia o seu tempo na administração de imóveis com um emprego como concursado no Banco do Brasil, que lhe oferecia estabilidade. Pediu demissão após quase uma década na dupla função para se dedicar à expansão da corretora, que hoje mantém 15 lojas espalhadas pelo estado.

Apesar da idade avançada, Bogoricin continuava ativo na administração da empresa, onde ocupava o cargo de diretor-presidente. Mesmo vivendo em Nova York, o empresário acompanhava o dia a dia da imobiliária em reuniões por videoconferência e relatórios digitais. Sua presença no Rio era frequente, para as discussões estratégicas do grupo.

— Na noite de quinta-feira falei com meu pai por vídeo. Desde que minha mãe faleceu ele já andava triste, apesar da enorme força de vontade e amor à vida — conta Leila Bogoricin, filha e sócia-diretora da corretora, destacando que o pai continuava lúcido e ativo. — Comentei sobre o nosso esforço de guerra para manter a empresa funcionando neste momento. Ele disse: “Leilinha, hoje a Julio Bogoricin é uma empresa de todos aqueles que lutam e brigam diariamente por ela. Sejam valentes e sigam em frente”.

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