Política

Após impeachment de Crespo, Jaqueline Coutinho toma posse como prefeita de Sorocaba

Câmara dos Vereadores cassou o mandato de José Crespo (DEM) por 16 votos a quatro. Jaqueline assumiu o cargo logo após o fim da sessão, na madrugada desta sexta-feira (2).

Logo após a Câmara dos Vereadores cassar o mandato de José Crespo (DEM) pela segunda vez em dois anos e meio, Jaqueline Coutinho (PTB) tomou posse como prefeita de Sorocaba (SP) na madrugada desta sexta-feira (2).

A então vice-prefeita ficou sabendo do resultado da votação pelo telefone, por volta das 2h10, e seguiu para a Câmara, onde chegou às 3h.

Ela assinou o termo de posse e fez um breve discurso:

“Bom dia a todos. São 3h15 da manhã do dia 2 de agosto. É uma data história para Sorocaba (…) Não posso dizer que estou feliz pela situação em si, porque a gente sempre pensa no outro lado da moeda. Eu passei por isso há um mês e meio, foi uma situação muito difícil. Obviamente acatei e acataria a decisão soberana da Câmara, mas esse transtorno que traz não só para as partes envolvidas mas para o povo, que espera que possamos e devamos desempenhar com lisura, com legalidade o nosso mandato. Afinal de contas, quando da eleição o nosso povo sorocabano fez um pacto com os seus representantes vereadores, com o chefe do Executivo e com a vice-prefeita no sentido de que bem desempenhasse seus mandatos e para que nós não nos esquecêssemos nunca de que nós todos somos servidores públicos, que devem atender as necessidades da população, devem estar junto com a população e jamais se desviar dos propósitos que são a supremacia do interesse da administração e do povo administrado. Agora, diante dessa nova configuração política do Executivo eu obedeço, eu me curvo à sucessão natural diante do processo de cassação e espero que possamos caminhar juntos. Vamos com muita tranquilidade, harmonia, esperança resgatar aquilo que é o mais importante para a população: a confiança, a credibilidade, a autoestima. Em nenhum momento fiz qualquer movimentação política para que isso acontecesse porque tudo deveria transcorrer na mais absoluta legalidade e tranquilidade para termos um processo legítimo. E foi isso que aconteceu. Que Deus abençoe todos nós.”

Depois de discursar, Jaqueline falou rapidamente ao G1 sobre o primeiro passo como prefeita. “Com muita tranquilidade vou conversar com os secretários e ver as medidas que iremos tomar.”

Como não existe suplente de vice-prefeito, se Jaqueline precise se ausentar por um período de 15 dias, quem assume a prefeitura é o presidente da Câmara, Fernando Dini (MDB).

Como foi a sessão
A sessão extraordinária que colocou em votação o relatório da Comissão Processante que investigou Crespo por supostas irregularidades na contratação de voluntários na prefeitura teve início às 13h19 de quinta-feira (1º) e durou cerca de 13 horas.
Logo no início, o advogado do então prefeito, Marcio Leme, solicitou a leitura integral do processo, incluindo a exibição na íntegra de todos os depoimentos colhidos pela CPI durante quase seis meses, mas acabou voltando atrás depois de quase nove horas de sessão.

Quatro vereadores utilizaram os 15 minutos aos quais tinham direito para discursar na tribuna e, em seguida, Marcio solicitou que alguns parlamentares fossem impedidos de participar da votação. O pedido foi rejeitado pelo presidente da casa.

O advogado do prefeito então teve duas horas para fazer a argumentação, mas encerrou o discurso antes do prazo, dando início à votação que derrubou o mandato de Crespo. Nos três quesitos, foram 16 votos a favor da cassação e apenas quatro contrários. O G1 acompanhou em tempo real.

Coincidentemente, a sessão foi a segunda do ano a decidir sobre o mandato de um representante do Executivo. Em junho, os vereadores votaram contra o relatório da Comissão Processante que pedia a cassação do mandato da própria vice-prefeita Jaqueline Coutinho.

Crise política
Esta foi a segunda vez que a Câmara dos Vereadores decidiu o futuro do mandato de Crespo à frente da Prefeitura de Sorocaba e pelo mesmo motivo do primeiro pedido de cassação: a atuação de Tatiane Polis na administração municipal.

Em julho de 2017, Tatiane, então assessora de Crespo, virou pivô de uma briga política entre ele e a vice-prefeita. A polêmica acabou com o pedido de exoneração de Tatiane e a primeira cassação do prefeito, revertida depois de 43 dias com uma liminar na Justiça.

Um ano e meio depois, Tatiane foi flagrada pelo G1 e a TV TEM trabalhando em um evento oficial da prefeitura. A administração alegou que ela fazia trabalho voluntário, informação que não foi confirmada pelos documentos obtidos pela reportagem.

A denúncia motivou a abertura da CPI do Trabalho Voluntário, cujo relatório apontou que Crespo havia cometido crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Dois dias depois, a Câmara aprovou a criação da Comissão Processante para investigar as denúncias.

Por dois votos a um, os integrantes da CP entenderam que Crespo cometeu infração político-administrativa e recomendaram a cassação do mandato dele, colocada em votação nesta quinta e sexta-feira.

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