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Após renuncia de Evo Morales será a vez de Maduro, anuncia Camacho, líder da oposição radical na Bolívia

Ao discursar nesta madrugada em Santa Cruz de la Sierra, onde preside Comitê Cívico, empresário diz, irônico, que também entregará carta de renúncia ao venezuelano

A expectativa entre os opositores do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales , é de que sua saída do poder tenha impacto em outros países da região, sobretudo na Venezuela de Nicolás Maduro . Em ato público na madrugada desta quarta-feira, depois de retornar a Santa Cruz de la Sierra, o presidente do Comitê Cívico da cidade, Luis Fernando Camacho, chegou a fazer uma brincadeira dizendo que, como fez com Morales, levaria uma carta de renúncia (de Maduro) a Caracas.

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Deixamos bem claro que isso aqui não é Cuba nem Venezuela. Aqui é Bolívia e mandam os bolivianos — declarou Camacho, diante de uma multidão reunida em frente ao Cristo, símbolo da cidade.

Antes do afastamento de Morales sob pressão de protestos opositores, de um motim policial e dos militares, o empresário de Santa Cruz, que emergiu com força no no último mês como líder da ala radical da oposição boliviana, foi até La Paz com uma carta de renúncia que pretendia entregar ao então chefe de Estado. O texto foi mostrado ontem por seus apoiadores no ato de comemoração do “nascimento de uma nova Bolívia”.

Camacho e seus aliados, entre eles o presidente do Comitê Cívico de Potosí, Marco Antonio Pumari, defendem a necessidade de que os bolivianos que participaram da campanha contra Morales e de todas as iniciativas que levaram ao fim do que ele e seus colaboradores chamam de “uma tirania” ajudem “os irmãos venezuelanos”. Os dois líderes cívicos, que chegaram juntos nesta madrugada a Santa Cruz, tiveram um papel central na crise boliviana.

Perguntados sobre até onde suas palavras são, de fato, uma brincadeira, assessores do também chamado “presidente cívico” de Santa Cruz não souberam explicar o que se passa neste momento pela cabeça do homem que, logo depois da renúncia de Morales no domingo, entrou no palácio presidencial em La Paz e se fez fotografar ajoelhado diante de uma Bíblia e da bandeira nacional.

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Na noite de terça-feira, Camacho também apareceu no balcão do palácio presidencial, ao lado da senadora Jeanine Ánez, que era a segunda vice-presidente do Senado e havia acabado de se declarar presidente interina da Bolívia. A proclamação, sob o argumento de que Morales abandonara o cargo, se deu sem que fosse cumprido o ritual estabelecido na Constituição, que prevê que as duas Casas do Congresso devem aprovar a renúncia de um presidente e a indicação do seu sucessor.

A falta de quórum no Congresso boliviano para a sucessão constitucional se deu devido à ausência de parlamentares do MAS (Movimento ao Socialismo) de Morales, que têm a maioria das duas Casas. Muitos deles alegaram que não podiam chegar ao Congresso porque as estradas — incluindo a que liga o aeroporto à capital — estavam bloqueadas por militantes da oposição. O bloqueio foi articulado logo depois da eleição de 20 de outubro por Camacho, na campanha de contestação à reeleição de Morales para um quarto mandato. Depois da auto proclamação de Ánez, o líde opositor de Santa Cruz determinou o fim do que chamou de “greve cívica” e a retirada dos seus militantes das ruas.

O que está claro é que o fim abrupto do governo Morales, antes de que terminasse seu mandato, em janeiro, e em meio a um processo eleitoral suspeito de graves irregularidades, já está tendo impacto na situação venezuelana. Claro exemplo disso é a confusa situação na embaixada da Venezuela em Brasília , ocupada na manhã desta quinta por seguidores do líder opositor venezuelano Juan Guaidó, que na noite de terça foi o segundo dirigente a “reconhecer” o governo interino da senadora Ánez, logo depois do chanceler brasileiro Ernesto Araújo. Na Bolívia, já se fala em “efeito Camacho”.

Via
O GLOBO
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