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Atirador de mesquita na Noruega é levado ao tribunal

Machucado mas sorridente, terrorista de extrema direita será mantido preso preventivamente

OSLO – Com os olhos roxos e hematomas no rosto, mas sorridente, o autor de um atentado a tiros contra uma mesquita nas cercanias de Oslo no sábado compareceu a audiência em um tribunal da capital da Noruega nesta segunda-feira. Acusado de terrorismo e homicídio , Philip Manshaus, 21 anos, a quem a polícia imputa “posturas de extrema direita” e “posições xenófobas”, será mantido preso preventivamente.

Os ferimentos de Manshaus são resultado da ação dos próprios fiéis que estavam no Centro Islâmico al-Noor para impedir que continuasse com o ataque. Vestindo armadura e capacete e portando duas armas semelhantes a espingardas e uma pistola, ele entrou no local atirando, mas foi imobilizado por pessoas na mesquita antes da chegada da polícia. Um homem de 65 anos ficou ligeiramente ferido ao se lançar sobre o terrorista na briga.

A acusação de homicídio contra Manshaus é relativa à morte de sua irmã adotiva, cujo cadáver foi encontrado pela polícia poucas horas depois do atentado. De origem chinesa, a jovem foi adotada pela atual mulher do pai do atirador.

Ainda nesta segunda-feira, o serviço de inteligência interna da Noruega informou que Manshaus apareceu em seu “radar” há cerca de um ano, mas não foi alvo de vigilância contínua. Pouco antes do ataque à mesquita, um usuário de internet usando o nome de Philip Manshaus publicou no fórum de discussões EndChan uma mensagem convocando os leitores a participarem de uma “guerra de raças” na vida real. O usuário disse ser um eleito do “santo tarrant”, numa aparente referência a Brenton Tarrant, autor do ataque a tiros contra duas mesquitas na Nova Zelândia que deixou 51 mortos em março último.

O ataque em Oslo semeou o medo na minoria muçulmana da Noruega, que celebra a festa de Aíd al Adha e reforçou a segurança em torno das comemorações. Ele também acontece em meio a um aumento dos ataques de supremacistas brancos pelo mundo, como o ocorrido na semana retrasada em El Paso , EUA.

A Noruega jpa tinha sido palco de atos semelhantes nos últimos anos, o mais grave em 22 de julho de 2011, quando o extremista de direita Anders Behring Breivik matou 77 pessoas em Oslo e na ilha próxima de Utøya.

Conhecidos e vizinhos se referiram a Philip Manshaus como um jovem normal, mas cujo comportamento mudou no último ano. De acordo com a emissora pública NRK, ele se tornou muito religioso e passou a adotar pontos de vista cada vez mais extremistas.

A primeira-ministra da Noruega, a conservadora Erna Solberg, assegurou no domingo que a comunidade muçulmana do país tem o apoio de seu governo, que tem entre seus integrantes membros do populista Partido do Progresso, acusado de xenofobia.

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