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Auditoria do IPT identifica 59 grandes falhas construtivas na obra do Rodoanel Norte

Trecho Norte do Rodoanel tem canteiros paralisados desde 2018; IPT identificou o total de 1291 falhas em seis lotes da construção que vai ligar a rodovia Presidente Dutra

Um relatório elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificou 1291 falhas na construção do trecho Norte do Rodoanel, 59 delas consideradas grandes.

O documento foi contratado pela gestão do atual governador João Doria (PSDB) e pretende ser um pente-fino na qualidade da construção de uma das maiores obras de infraestrutura do estado, que deveria ter sido concluída em 2016.

As falhas apontadas no relatório pelo instituto foram encontradas nos seis lotes da obra que deverá ligar a rodovia Presidente Dutra ao aeroporto de Guarulhos e à rodovia dos Bandeirantes. As empreiteiras que tocaram esses trechos são a Mendes Júnior/Isolux, OAS, Acciona e Construcap/Copasa.

Parte dessas empresas sofreram forte revés após serem investigadas na Operação Lava Jato, tendo sido alijadas de acessos a financiamentos. Tanto a Mendes Júnior como a OAS estão em recuperação judicial.

Em nota, a secretaria de Transporte do governo estadual afirma que os apontamentos do laudo “serão anexados em sua totalidade no novo edital de licitação da obra” e que o objetivo é garantir que “todos os trabalhos necessários sejam feitos para que o Rodoanel seja entregue com toda a segurança aos usuários” (veja a nota completa abaixo).

Falhas

Segundo o laudo do IPT, 84% das falhas construtivas observadas na obra foram consideradas de gravidade baixa ou insignificante, 12% médias e 5% grandes.

As falhas consideradas pequenas ou insignificantes são decorrentes do abandono das obras e da falta de zeladoria dos canteiros de obra. São estruturas, por exemplo, que ficaram expostas a sol e chuva, sem a devida proteção.

Mais preocupantes, segundo o documento, são as anomalias médias, que podem interferir a médio e a longo prazo na operação da rodovia.

Já as falhas grandes poderiam impactar o funcionamento do Rodoanel Norte como um todo e, por isso, devem ser analisadas mais profundamente, inclusive com o consórcio projetista, antes da abertura da rodovia para veículos, diz a análise do IPT.

Entre as grandes falhas estão colunas de pontes tortas, rupturas e erosão de encostas. A condição dos túneis também foi criticada. Em um deles, com histórico de rupturas, técnicos identificaram o acúmulo de água que deveria estar drenado e falhas em seu revestimento interno, aponta o IPT.

Valores
Análise feita em 2019 pelo Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) afirma que a construção do Rodoanel Norte já custou R$ 6,3 bilhões, 50% mais que os R$ 4,3 bilhões orçados iniciamento pelo governo de São Paulo quando a obra começou, em 2013.

O ritmo da construção foi ficando lento em 2015, mas oficialmente as obras estão paralisadas desde dezembro de 2018, quando as atividades nos lotes 1, 2 e 3 foram encerradas pela gestão do então governador Márcia França (PSB), que rompeu o contrato com empreiteiras responsáveis pelos três lotes.

Alguns canteiros de obras estão abandonados há anos e o problema da falta de iluminação e do lixo acumulado gerou reclamações dos moradores que vivem no entorno.

Após análise do governo paulista, em 2019, temia-se que as estruturas estivessem comprometidas pelo tempo em que estão paradas ou mesmo que a construção tivesse sido feita de maneira inadequada. Por isso, a atual gestão do governador João Doria (PSDB) contratou o IPT para alisar a situação da construção, argumentando que a análise era necessária para a retomada da obra.

O relatório do IPT atesta “que as anomalias devem ser devidamente corrigidas, de modo a evitar o seu agravamento e consequentemente a redução do desempenho estrutural e da vida útil das obras-de-arte especiais [pontes e viadutos]”.

Veja a íntegra da nota do Governo de São Paulo:

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foi contratado em junho de 2019 para a realização de um estudo sobre as obras do Rodoanel Trecho Norte.

A atual gestão assumiu com os contratos dos lotes 1, 2 e 3 encerrados em dezembro de 2018. Após estudos, foi verificada que a continuidade dos outros três lotes era inviável.

Os apontamentos do laudo serão anexados em sua totalidade no novo edital de licitação da obra, garantindo que todos os trabalhos necessários sejam feitos para que o Rodoanel seja entregue com toda a segurança aos usuários e dentro dos novos prazos que serão estabelecidos na futura licitação.

A conclusão deste laudo é mais um passo para que o Estado possa retomar este empreendimento, dentro da forma da lei, com segurança para assim concluir o Rodoanel Mário Covas e entregá-lo o quanto antes à população.

Via
G1
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