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Avianca Brasil demite ao menos 200 tripulantes

Fatia representa cerca de 15% da mão de obra de pilotos e comissários da companhia aérea. 'Irmã colombiana', por outro lado, está contratando no Brasil

SÃO PAULO – Em grave situação financeira, a Avianca Brasil demitiu ao menos 200 comandantes e copilotos nesta segunda-feira (13/5), de acordo com estimativa do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).

É cerca de 15% dos tripulantes da companhia aérea, em recuperação judicial desde dezembro.

Ao mesmo tempo, a Avianca Airlines, companhia aérea da Colômbia que compartilha o nome, mas tem gestão separada da operação brasileira, deve contratar funcionários no país numa tentativa de desvincular-se dos problemas enfrentados pela ‘irmã’ brasileira.

As demissões devem seguir nesta terça-feira com comissários de bordo, espera o sindicato. Por ora, não há garantias de que os demitidos vão receber os direitos trabalhistas, diz o presidente do SNA, Ondino Dutra.

As demissões ocorrem na esteira da perda de 80% da frota da Avianca Brasil em seis meses de dificuldades financeiras. Por causa dos aluguéis atrasados, a frota da companhia caiu de 50 para cinco aeronaves desde dezembro. Com isso, a maior dos cerca de 1.500 tripulantes da companhia ficaram redundantes na empresa.

Mais cedo, a concorrente Azul anunciou a intenção de aportar US$ 145 milhões na Avianca Brasil para adquirir os 169 slots que teriam ido a leilão na terça-feira da semana passada. Horas antes, o certame foi suspenso por uma liminar obtida na Justiça paulista pela prestadora de serviços aeroportuários Swissport questionando as regras do leilão.

Em assembleia na tarde de segunda-feira, os filiados do SNA votaram uma moção de apoio à nova proposta da Azul para ficar com os ativos da Avianca.

– A Azul comprometeu-se a operar pelo menos dez aviões na ponte aérea Rio-São Paulo e, neles, utilizar só tripulantes da Avianca. Além disso, quer utilizar o critério de senioridade nas contratações. Isso atende nossas expectativas – diz Dutra, do SNA.

‘Irmã colombiana’ está contratando no Brasil
A crise na Avianca Brasil deve ampliar a operação no Brasil da Avianca Airlines, nome comercial da companhia aérea sediada na Colômbia que, embora também tenha os irmãos José e Germán Efromovich entre os sócios, é administrada de maneira independente da operação brasileira.

Segundo fontes ligadas à companhia colombiana, ouvidas pelo GLOBO em condição de sigilo, a Avianca Airlines deve abrir um escritório comercial em São Paulo até o próximo mês com ao menos 60 funcionários. Além disso, a Avianca Airlines deve contratar nas próximas semanas mais mão de obra de apoio dos passageiros – como atendentes de check-in e auxiliares de embarque – nos voos internacionais operados pela companhia a partir de três aeroportos brasileiros: Guarulhos, Galeão e Porto Alegre. A intenção é substituir a mão de obra da Avianca Brasil, que até agora vinha desempenhando essas funções.

Em outro sinal do descolamento crescente entre as duas companhias aéreas, desde o dia 29 de abril a Avianca Brasil não está mais operando os trechos domésticos de voos internacionais vendidos pela Avianca Airlines.

Até então, era comum a um passageiro de destino só operado pela Avianca Brasil (como Salvador, por exemplo) pegar um avião da companhia até hubs como Guarulhos e Galeão para, só então, embarcar num voo internacional operado pela Avianca Airlines.

Por causa dos sucessivos cancelamentos de voos da Avianca Brasil, nas últimas duas semanas a companhia colombiana está acomodando passageiros em rotas operadas por Azul, Gol e Latam. Mais de 5.000 bilhetes estão sendo redirecionados às concorrentes da Avianca Brasil.

De acordo com fontes da companhia sediada na Colômbia, em breve deve ser divulgado o novo parceiro comercial da Avianca Airlines para operar as rotas domésticas no país (o chamado code sharing , no jargão da aviação civil).

Procurada, a Avianca Brasil não comentou a tempo da publicação da reportagem

Via
O GLOBO
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