Economia

BC baixou os juros e novos cortes devem vir: saiba como diversificar aplicações em renda fixa

Poupança é mais vantajosa que fundos com taxa de administração superior a 0,5%. Letra de crédito também é opção

RIO – A queda da taxa básica de juros (Selic) a 6% ao ano demanda novas estratégias de quem investe em fundos de renda fixa. O fato de a taxa estar em seu menor patamar desde a criação do sistema de metas de inflação, em 1999, acaba beneficiando os investidores mais conservadores. Ma também faz com que esse tipo de aplicação tenha, agora, um retorno financeiro muito baixo, forçando a abertura para outras alternativas.

Em simulações feitas por economistas, a poupança, que estava rendendo 4,55% ao ano, deve trazer retorno de 4,2%, podendo até superar diversos fundos de renda fixa disponíveis no mercado.
A poupança fica mais vantajosa, explicam, se a taxa de administração do fundo for superior a 0,5%. Ainda assim, é preciso pensar bem antes de trocar de aplicação, considerando aspectos de âmbito pessoal, como objetivos e perfil do investidor.

– Não é uma situação nova, mas é um processo que já vem há algum tempo, com a poupança se destacando com a Selic mais baixa. Muita gente já fez esse movimento (de troca). Talvez o maior seja do microinvestidor, que vai tirar dinheiro do fundo e colocar na poupança, o que vai pressionar a queda das taxas de administração dos bancos no futuro — afirma Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).
Com o crescente número de investidores em potencial na poupança, outros produtos, como Tesouro Direto Selic, debêntures, letras de crédito — do agronegócio (LCA) e imobiliário (LCI) — e CDBs podem representar uma opção de baixo risco.

Já a Bolsa de Valores se mantém como alternativa para os investidores de perfil mais arrojado. Especialistas, no entanto, destacam que é preciso atentar para o equilíbrio na composição da carteira.

– Já venho percebendo um movimento das pessoas buscando maior diversificação. Hoje em dia ser rentista, viver de renda fixa conservadora, já não está tão simples. As pessoas estão percebendo que vão ter que retomar um pouco mais de risco para conseguir uma boa remuneração — diz Letícia Camargo, da ONG Planejar.

Na avaliação de Mauro Rochlin, economista e professor dos MBAs da FGV no Rio de Janeiro, a inclusão do risco na carteira de investimentos é um caminho “inevitável” na busca por maior rentabilidade, principalmente em um cenário de novas quedas da Selic, conforme apontou o comunicado do Banco Central.

Segundo Rochlin, o novo cenário demanda uma disposição cada vez maior ao risco.

– Temos que enfatizar a necessidade de uma reeducação financeira. Em um momento de juros mais baixos, as pessoas precisam se coçar e pensar em alternativas. Essa comodidade vai deixar de existir. As pessoas vão ter de se arriscar mais, e risco ninguém gosta de correr.

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