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Bento XVI quer seu nome removido de livro que gerou polêmica

Coautor, cardeal guineense nega ter usado nome de Papa emérito sem autorização; para especialistas, crítica de Bento XVI desestabilizaria autoridade de Francisco

CIDADE DO VATICANO — O Papa emérito Bento XVI quer seu nome removido do livro que gerou polêmica ao criticar a flexibilização do celibato de padres, disse nesta terça-feira seu secretário pessoal, o arcebispo George Ganswein.

Ganswein disse à Reuters que, por ordem de Bento XVI, solicitou ao principal autor do livro, o conservador Cardeal Robert Sarah, para pedir aos editores que retirem o nome da capa, da introdução e da conclusão.

Robert Sarah, Cardeal da Guiné e líder da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, foi acusado de usar o nome de Bento sem autorização. Sarah negou as acusações.

“Afirmo solenemente que Bento XVI sabia que nosso projeto assumiria a forma de um livro. Posso dizer que trocamos várias provas para estabelecer as correções”, afirmou Sarah no Twitter.

No domingo, o jornal francês “Le Figaro” revelou excertos do livro “From the Depths of Our Hearts” (Das Profundezas dos Nossos Corações, em tradução livre), que foi lançado na segunda-feira.

Na obra, o Papa emérito exorta o PapaFrancisco, seu sucessor, a não autorizar a ordenação de homens casados. A hipótese foi considerada no Sínodo da Amazônia, em outubro, como maneira de ampliar a presença de padres na região, hoje tomada por instituições evangélicas.

Diante do flerte de setores da Igreja com a revisão do celibato, Bento decidiu romper seu habitual silêncio para fazer coro às críticas que a resolução final do Sínodo vinha recebendo, como explica na introdução do livro, em coautoria com Sarah.

Estudiosos da Igreja Católica pontuaram que os escritos de Bento poderiam desestabilizar a autoridade do Papa Francisco, que enfrenta resistência de altas ultraconservadoras. Para Massimo Faggioli, teólogo da Universidade Villanova (EUA), a manifestação de Bento XVI representa uma “violação séria” para alguém que jurou “reverência e obediência incondicional” ao sucessor.

Ontem, o Vaticano reafirmou o respeito de Francisco pelo celibato, imposto aos sacerdotes católicos há mais de mil anos. No entanto, padres sul-americanos defendem que a Igreja abra mão do celibato — que não é um dogma — em regiões remotas, onde a carência de padres vem dando espaço para o avanço de igrejas protestantes.

Papa Francisco deverá dar seu parecer sobre a questão em um documento pós-sinodal a ser publicado em fevereiro.

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POR: O GLOBO
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