Polícia

Caso Daniel: ‘Justiça do Brasil falha mesmo’, diz mãe de jogador após soltura de Cristiana Brittes

RIO — A mãe do jogador Daniel Corrêa, Eliana Corrêa, classificou a Justiça como “falha”, em relação ao desenrolar do processo da morte de seu filho — o atleta foi encontrado morto numa área rural de São José dos Pinhais, nos arredores de Curitiba, em 27 de outubro de 2018. A declaração de Eliana foi dada nesta segunda-feira, dias após a Justiça do Paraná determinar a sotura de Cristiana Brittes, que deixou a penitenciária feminina do estado, na última quinta-feira.

— Não importo muito com essas pessoas, não. A única coisa que eu me importo é o meu filho não estar mais aqui. O que a Justiça do Brasil fizer está feito. A Justiça do Brasil é assim, falha mesmo. Infelizmente, a gente não pode esperar muita coisa. — disse ela, que complementou. — Para mim, o que importa é falta que o Daniel faz.

Falta, aliás, que sente diariamente. Eliana trabalha e ajuda a cuidar da filha deixada pelo atleta.

— Ele era tudo para mim. Faz muita falta. Éramos muito ligados e ele tinha toda confiança em tudo que eu fazia para ele. Eu cuidava de tudo. Agora, o que faço é ir visitar o túmulo dele quase todos os dias e ajudar a cuidar da filhinha dele. — disse a mãe do jogador.

Eliana contou ainda que desde que perdeu o filho “não tem vontade de fazer nada”. Mas que se esforça para continuar a rotina.

— Minha vida é só tristeza. De não ter vontade de fazer nada. Trabalho porque preciso trabalhar. Minha vida foi embora junto com a do Daniel — lamentou a mãe de Daniel.

No último dia 12, Cristiane Brittes deixou e Penitenciária Feminina do Paraná no mesmo dia em que a Justiça decidiu pela sua soltura. Ela responderá em liberadade e terá que comparecer em juízo uma vez a cada dois meses. Também está proibida de frequentar bares e casas noturnas e deverá sempre retornar para sua residência às 20h.

Ela está submetida à monitoração eletrônica, com uma tornozeleira, para que possa circular pela região de São José dos Pinhais, em Curitiba. A monitoração ocorrerá no período de 90 dias, prorrogáveis por período igual, quantas vezes a Justiça julgar necessário. O tempo começa a contar após a ré iniciar a utilização do dispositivo.

Cristiana não poderá retirar, danificar ou obstruir o objeto, ou permitir que outra pessoa o faça.

Agora, entre os sete denunciados, três respondem em liberdade: além de Cristiana, Evellyn Perusso, que teria se envolvido com a vítima, de 24 anos, na noite do crime, e Allana Brittes, que é a filha do assassino confesso. Todos os réus foram interrogados pela Justiça do Paraná.

Em relação a Edison Brittes Junior, o Tribunal de Justiça do estado, informou, nesta segunda-feira, que “não foi identificado nenhum Habeas Corpus impetrado em favor” dele.

Entenda o caso
Segundo a Polícia Civil do Paraná, Daniel foi “encontrado nu” na Estrada do Mergulhão, em São José dos Pinhais, “com o pescoço praticamente degolado e o órgão genital mutilado”. Os investigadores constataram que foi usada uma arma branca no crime. Parentes do jogador o reconheceram, e os primeiros depoimentos foram colhidos.

Segundo o resultado de uma perícia realizada no telefone de Cristiana, foram feitas pesquisas no aparelho por casas de Swing, locais onde ocorrem troca de casais. A informação é do programa local “Tribuna da Massa”. De acordo com uma testemunha entrevistada, Edison teria convidado o jogador para que se relacionasse com sua mulher.

Os suspeitos da morte do jogador Daniel Corrêa se encontraram na praça de alimentação de um shopping na cidade de São José dos Pinhais no dia 29 de outubro, às 14h, dois dias depois do crime. Segundo a Polícia Civil do Paraná, as imagens mostram Edison Brittes coagindo ao menos outras duas testemunhas. Um outro vídeo publicado pelo Fantástico, da TV Globo, mostra ainda a chegada de um terceiro suspeito ao encontro.

O sepultamento do atleta ocorreu em Conselheiro Lafaiete (MG), cidade em que vive sua mãe, Eliana Corrêa. Segundo a mãe da vítima, ele começou a jogar futsal aos 5 anos e, desde o início, se destacava.

Daniel passou por grandes clubes do futebol brasileiro, como o Coritiba, Botafogo e Ponte Preta. O meia tinha contrato com o São Paulo, que seria finalizado em dezembro daquele ano, e, na ocasião, havia sido emprestado para o São Bento.

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