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Chevrolet Cruze passa a vir com wi-fi a bordo em sua nova versão topo de linha, a Premier

O carro traz um gerenciador de wi-fi com uma intensidade de sinal 12 vezes maior que a de um smartphone comum - mas fica-se preso a uma única operadora

Um carro moderno como o Chevrolet Cruze leva nada menos do que 1.250 metros de fios em seu chicote elétrico. E, enquanto o computador que você usa em casa tem dois processadores, o Cruze tem 42!

E quantas antenas tem um automóvel atual? Uma? Não: 22… Servem para tudo, desde o bluetooth até a chave com abertura por aproximação.

— E tudo isso tem que “partir” em milissegundos e funcionar bem mesmo sob uma temperatura de 50°C — explica Eduardo Santos, gerente de validação do laboratório de eletroeletrônicos da General Motors, em Indaiatuba, São Paulo.

A arquitetura eletrônica inclui 1.250 metros de fios, 14 redes, 42 processadores e 22 antenas Foto: Jason Vogel
A arquitetura eletrônica inclui 1.250 metros de fios, 14 redes, 42 processadores e 22 antenas Foto: Jason Vogel

O passo natural é que os carro carreguem seu próprio dispositivo de internet com roteador wi-fi, e não dependam mais do smartphone de quem está dirigindo.

Em carros de luxo importados, isso já é relativamente comum. E mesmo por aqui, isso não é exatamente novidade: em 2011, o Chevrolet Agile teve uma série limitada Wi-Fi. Foram mil carros que traziam um roteador de bolso com chip 3G da Tim.

Agora, meio que se preparando para a chegada da próxima geração do Toyota Corolla, a GM traz da Argentina a nova versão topo de linha do Cruze — é a Premier, que substitui a antiga LTZ.

O carro traz a bordo um gerenciador nativo de wi-fi — ou seja, que faz parte da arquitetura eletrônica do veículo.

 A versão Premier combina marrom e preto nas forrações de couro Foto: Divulgação
A versão Premier combina marrom e preto nas forrações de couro Foto: Divulgação

Isso dispensa que se use o plano de dados do smartphone pessoal para acessar a internet, reduz o gasto de bateria do celular e, o mais importante, garante uma intensidade de sinal até 12 vezes maior em deslocamentos — permitindo o funcionamento em 4G por mais tempo quando se pega a estrada. É quase como usar a rede de casa.

— A primeira coisa que fazemos ao chegar em um restaurante ou hotel é pedir a senha do wi-fi. Por que não no carro? Estudos mostram que o brasileiro é um dos mais conectados do mundo e passa, em média, duas horas e meia por dia no trânsito de grandes centros — justificou Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, em vídeoconferência: nós dentro do Cruze, em Indaiatuba, ele em Buenos Aires.

Na tela multimídia, aperte o ícone “Roteador Wi-Fi”, digite a senha e pronto… Com maior intensidade de sinal, é mais raro perder conexão ou haver oscilações. Outra vantagem é que a navegação do Waze não ficará mais lenta caso alguém telefone. O wi-fi tem um raio de alcance de 15m em torno do Cruze.

Na multimídia, aperte o ícone “Roteador Wi-Fi”, digite a senha e pronto Foto: Divulgação
Na multimídia, aperte o ícone “Roteador Wi-Fi”, digite a senha e pronto Foto: Divulgação

O que parece ser apenas uma antena “barbatana de tubarão” no teto do carro, na realidade abriga as antenas de AM, FM, GPS e celular.

Nada menos do que sete dispositivos podem ser conectados ao mesmo tempo ao roteador — um prato cheio para quem “amansa” as crianças com desenhos animados via streaming. O contraponto é que, acostumados assim, os pequenos não vão querer ver a paisagem real pela janela…

‘Refém’ da claro

Dois celulares podem ser pareados simultaneamente, via bluetooth, e há compatibilidade com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay.

Incluíram, ainda, alguns truques: imagine um casal que tem um Cruze. Pela chave usada para ligar o carro, o sistema identifica quem está ao volante e ajusta o conteúdo da tela multimídia (estações de rádio, por exemplo) às preferências de cada um.

Os aplicativos instalados no carro, por enquanto, são poucos: há um do Weather Channel, com previsão do tempo, e outro para agendar revisões na concessionária. O manual do proprietário também está online.

— Muitos outros virão — promete Rosana Herbst, diretora de serviços conectados da GM.

Há inconvenientes. O primeiro é que (por uma alegada questão de segurança) o chip vai soldado e blindado dentro da caixinha que abriga o sistema. Fica-se preso a uma única operadora, a Claro, e a seus quatro planos de dados disponíveis para o Cruze.

O pacote mais em conta é o de 2GB, com mensalidade de R$ 30. Deve bastar para garantir navegação e música a bordo. Este foi o único valor anunciado até agora — os outros só serão revelados em setembro, quando a versão Premier chegar às lojas…

A partir daí, há um plano mensal de 5GB, suficiente para um casal (sem filhos) que não abuse muito da internet. O wi-fi a bordo chegará a outras versões e modelos da GM e tem tudo para se tornar uma ferramenta especialmente útil para profissionais do volante — a estes, recomenda-se o plano de 10GB. E, para que tem filhos pequenos, viaja muito, e “entope” as crianças com filmes e desenhos animados, a solução mais indicada é o plano de 20GB.

Já que não há opção senão a Claro, estamos curiosos para saber se os preços das mensalidades serão razoáveis. Inicialmente, a GM oferecerá três meses (ou 3GB, o que vier primeiro) de uso grátis, como experiência.

Em um carro tão conectado e projetado para levar viciados em gadgets, é de se estranhar que existam apenas duas entradas de USB, ambas no console em frente ao seletor de câmbio. Quem viaja no banco de trás não tem onde carregar seus aparelhinhos.

— Acho que, em pouco tempo, vai ser difícil ter um carro sem wi-fi — prevê a diretora de serviços conectados.

A gravatinha desceu

O Premier estreia algumas novidades na linha Cruze, seja com carroceria sedã ou hatch. A diferença mais aparente é a nova grade, com novos frisos internos. A gravatinha da Chevrolet desceu da parte superior para a barra central da grade. As aberturas do para-choque dianteiro estão maiores, o que dá um ar menos sóbrio e mais jovial ao carro.

O friso cromado das janelas está mais largo e já não contorna inteiramente os vidros — fica só na linha de cintura, com uma curvinha para cima.

As lanternas traseiras estão mais saltadas e têm novo desenho interno, que realça a iluminação por LEDs. Mudaram também o desenho dos aros (de 17 polegadas).

Por dentro, o Cruze mantém a combinação preta e marrom das forrações de couro, que já existia no antigo LTZ (de R$ 109 mil) . O computador de bordo tem nova apresentação e há um carregador sem fio para celular (que não funcionou com o iPhone 7 deste que vos escreve).

Botão para desligar o sistema start/stop (enfim!), câmera de ré com mais definição e novos equipamentos, como a frenagem automática de emergência com detecção de pedestres, são outras novidades.

Bom de chão e de motor

De resto, é o Cruze que já conhecíamos, e pudemos relembrar em algumas voltas na pista de teste em Indaiatuba. Um carro bom de curva, ágil e econômico, com seu motor 1.4 turbo (153cv). Só faltam as aletas de câmbio atrás do volante. Resta saber quanto vale o show — mas, certamente a GM está aguardando os preços do novo Corolla (que também chega em setembro), para bater o martelo.

FICHA TÉCNICA

Preço: não revelado.

Origem: Brasil.

Motor: flex, quatro cilindros, 16v, turbo, 1.399cm³; potência de 153cv (a 5.200rpm) e torque de 24,5kgfm (a 2.000rpm) com álcool.

Transmissão: câmbio automático de seis marchas. Tração dianteira.

Suspensões: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.

Freios: a disco nas quatro rodas.

Dimensões: 4,66m (c) e 2,70m (e.e.).

Desempenho: 0-100km/h em 9s e máxima de 214km/h (GM).

Consumo: 11,1km/l na cidade e 14,2km/l na estrada

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