Internacional

Chile declara estado de emergência na capital após protestos

Santiago vive dia de caos, com ônibus e lojas queimados, transporte público paralisado e violência, em meio a escalada de manifestações

O governo do Chile decretou na noite desta sexta-feira (18/10) estado de emergência em Santiago, na tentativa de conter a escalada nos protestos, iniciados contra o aumento no preço do metrô e que mergulharam a capital no caos.

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O decreto dá a um militar apontado pelo presidente Sebastián Piñera a responsabilidade pela segurança na cidade e prevê restrições às liberdades de movimento e reunião durante 15 dias.

A radicalização dos protestos contra o aumento do preço do bilhete do metrô de Santiago gerou, na sexta-feira, um dia de caos, com incêndios em vários pontos da cidade, saques e destruição.

A polícia não conseguiu conter os motins, e os bombeiros tiveram que combater incêndios em várias estações de metrô, ônibus urbanos, barricadas de rua e até na sede da companhia elétrica local.

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“Diante dos ataques sérios e repetidos e contra as estações e instalações do metrô de Santiago, contra a ordem pública e a segurança pública, declarei estado de emergência nas províncias de Santiago e Chacabuco, e nos municípios de Puente Alto e San Bernardo, na região metropolitana”, afirmou o presidente chileno.

Piñera apareceu diante da imprensa no Palácio de La Moneda, sede do governo, e explicou que o objetivo desta medida é voltar a recuperar a normalidade.

“O objetivo deste estado de emergência é muito simples, mas muito profundo: garantir a ordem pública, a tranquilidade dos habitantes da cidade de Santiago, proteger bens públicos e privados e, acima de tudo, garantir os direitos de todos”, disse.

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Entre a tarde e a noite, os protestos intensificaram-se em Santiago, em várias partes da cidade lojas foram saqueadas e estações de metrô e ônibus de transporte público foram queimados.

“Nossos compatriotas foram seriamente afetados pela ação de verdadeiros criminosos, que não respeitam nada ou ninguém, que estão dispostos a destruir uma instituição tão necessária quanto o metrô e que também não respeitam os direitos ou liberdades de seus compatriotas”, disse Piñera

Piñera também confirmou a nomeação do general Javier Iturriaga del Campo como chefe da defesa nacional durante o estado de emergência.

O artigo 42 da Constituição chilena estabelece que, em caso de estado de emergência devido a séria alteração da ordem pública, “as respectivas áreas estarão sob a dependência imediata do chefe da defesa nacional designado pelo presidente”.

Desde segunda-feira passada, milhares de pessoas, especialmente estudantes do ensino médio e universitário, têm protestado contra o aumento de 30 pesos no preço dos bilhetes de metrô, decretado há duas semanas, para os atuais 830 pesos (cerca de 1,2 dólar) no horário de pico.

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Eles foram em massa para as estações de metrô e forçaram a entrada sem pagar, causando destruição e enfrentando a polícia. A situação forçou o metrô de Santiago, que transporta diariamente quase 3 milhões de pessoas, a fechar todas as estações na sexta-feira, o que produziu o colapso do sistema de transporte da cidade.

Ao mesmo tempo, grupos mais radicais assumiram a frente das manifestações, com confrontos diretos com os policiais e a queima e destruição de várias estações de metrô e imóveis.

Segundo as primeiras informações, 19 estações de metrô e 16 ônibus urbanos foram danificados, e 180 pessoas foram presas.

O Metrô de Santiago é uma empresa privada, de propriedade em parte do Estado chileno. O preço é fixado pelo chamado Painel de Peritos, com base em vários indicadores, como inflação, custo dos fornecimentos para o seu funcionamento e a taxa de câmbio, entre outros, e é aprovado pelo Ministério dos Transportes.

Via
Deutsche Welle
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