Internacional

China promete represálias após ameaças de Trump de impor novas tarifas

Na quinta-feira, Trump afirmou que EUA vão adotar tarifa adicional de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos da China.

A China respondeu rapidamente Donald Trump e ameaçou nesta sexta-feira (2) adotar represálias contra o governo dos Estados Unidos, que encerrou uma trégua na guerra comercial entre os países com o anúncio de uma ampliação das tarifas sobre todas as importações chinesas.

O governo chinês advertiu que não terá outra alternativa a não ser adotar medidas de represália se o presidente Donald Trump concretizar sua ameaça, mas não detalhou a natureza das eventuais medidas.

Em um comunicado, o ministério chinês do Comércio acusou Washington de infringir gravemente o “consenso” alcançado por Trump e o presidente chinês Xi Jinping em junho com o objetivo de retomar as negociações.

Em uma série de tuítes, o presidente americano, que aspira um segundo mandato, afirmou na quinta-feira que sua administração pretende aplicar a partir de 1 de setembro “uma pequena tarifa adicional de 10% aos 300 bilhões de dólares” de importações chinesas até agora isentas.

O anúncio de Trump provocou um efeito cascata no mercado: as Bolsas europeias operavam em baixa nesta sexta-feira e a cotação do petróleo perdeu quase 8% na quinta-feira em Nova York.

A reação nos mercados asiáticos foi idêntica. A Bolsa de Tóquio registrou queda de mais de 2% e Xangai recuou 1,41%.

“Isto não me preocupa em nada”, disse Trump aos jornalistas sobre o impacto nos mercados. “Eu esperava”, acrescentou.
Uma surpresa
Trump acredita que o presidente chinês Xi Jinping queria um acordo, mas considerou que “não seguia rápido o suficiente”.

O presidente americano advertiu que pode aumentar ainda mais as tarifas alfandegárias sobre os produtos chineses, caso Pequim não aceite as exigências americanas. E mencionou a possibilidade de ir “além dos 25%”.

Todas as importações procedentes do gigante asiático se veriam assim sobretaxadas caso as futuras tarifas sejam aplicadas. Donald Trump, no entanto, afirmou que as discussões devem continuar como o previsto, no início de setembro.

Mas o presidente do Conselho Empresarial EUA-China (USCBC), Craig Allen, teme que esta decisão leve os chineses a abandonar as negociações.

Trump justifica sua decisão com o fato de Pequim não ter cumprido, na sua opinião, com dois compromissos muito importantes: a grande compra de produtos agrícolas americanos e o fim das vendas de fentanil, um opiáceo muito potente, protagonista da crise das drogas nos Estados Unidos e do qual a China é um dos principais produtores.

Pequim anunciou na quinta-feira que comprou nas últimas semanas mais produtos agrícolas americanos. E as negociações entre Estados Unidos e China pareciam ter sido retomadas em um clima relativamente tranquilo esta semana em Xangai.

Na quarta-feira, os dois lados mencionaram discussões “produtivas” para tentar acabar com uma guerra comercial iniciada há pouco mais de um ano.

“Brinca com o fogo”
Washington já aplica tarifas de 25% sobre mais de 250 bilhões de dólares em produtos chineses. Pequim respondeu com taxas adicionais sobre 110 bilhões de dólares de produtos americanos.

Até agora, o governo americano havia isentado os bens de consumo correntes, de modo que a economia dos Estados Unidos, estimulada pelo consumo das famílias, estava relativamente protegida da guerra comercial.

Mas a possibilidade de que as tarifas afetem todos os bens provocou um choque nos mercados. A ação do grupo Best Buy, uma rede de lojas de produtos eletrônicos, desvalorizou 9% imediatamente após o anúncio.

O presidente “brinca com o fogo”, advertiu Gregori Volokhine, analista da Meeschaert Financial Services.
Donald Trump iniciou a guerra tarifária contra a China para conseguir das autoridades chinesas o fim dos subsídios às empresas estatais, das transferências de tecnologia impostas às empresas estrangeiras ou do que chama de “roubos” de propriedade intelectual americana.

E advertiu que ou existe um bom acordo comercial ou não há acordo. Na quinta-feira, ele chegou a afirmar que poderia abrir mão de fazer comércio com a China.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, acusou Pequim de “protecionismo” e de “estratégia depredadora”.

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