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CNMP apura supostas irregularidades em palestra de Dallagnol

Nova reclamação disciplinar aberta pela Corregedoria trata de eventos com banqueiros e empresa citada na Lava-Jato

BRASÍLIA — A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu nesta sexta-feira uma nova investigação para apurar supostas irregularidades numa palestra secreta do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato em Curitiba, para um grupo de banqueiros durante a campanha eleitoral do ano passado.

O procurador também deverá ser investigado por dar uma palestra para Neoway Tecnologia, empresa investigada pela força-tarefa coordenada por ele. Há no CNMP oito reclamações abertas para apurar supostos desvios de conduta de Dallagnol. Ele tem negado irregularidades e não reconhece a autenticidade de todas as mensagens que vem sendo divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

A ordem para a investigação consta de uma reclamação disciplinar instaurada pelo corregedor do Conselho Nacional, Orlando Rochadel Moreira. Na mesma reclamação, o corregedor determina a apuração de supostos ataques de Dallagnol a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre conduções coercitivas.

As novas investigações deverão ser incluídas em outras reclamações disciplinares já abertas e que, para o corregedor, tratam de assuntos similares. Rochadel decidiu instaurar as três frentes de apuração a partir de uma representação formulada por parlamentares de oposição, entre eles o deputado Paulo Pimenta (PT-RJ). Para os deputados, Dallagnol teria burlado a lei ao fazer uma palestra secreta para banqueiros, num evento organizado pela XP Investimentos em junho do ano passado.

Dallagnol foi chamado para falar sobre Lava-Jato e eleições para representantes do J.P. Morgan, Goldman Sachs e Deutsche Bank, entre outros bancos, segundo reportagens do site The Intercept. Desde o início de junho o site vem publicando conteúdo de mensagens extraídas do Telegram de Dallagnol. Para os deputados, o procurador usou informações públicas, obtida em razão do cargo de procurador, para ganhar dinheiro.

No período, banqueiros queriam saber quais seriam os impactos da Lava-Jato nas eleições presidenciais. As informações poderiam ser úteis na movimentação de capitais e na definição de investimentos. Segundo o Intercept, Dallagnol estava ciente dos problemas que poderia enfrentar por causa da palestra. “Achamos que há risco sim, mas que o risco tá bem pago rs”, escreveu Dallagnol, numa conversa com o também procurador Roberson Pozzobon, em fevereiro, quatro meses antes da palestra.

“Mas de fato é nessa questão dos bancos que a coisa é mais sensível mesmo. Vamos conversar com calma depois”, teria ponderado Pozzobon. Dallagnol também será investigado por fazer palestra para a Neoway, empresa que apareceu nas investigações da força-tarefa de Curitiba em 2016. Chefe da investigação, Dallagnol teria recebido R$ 33 mil pela palestra, segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo no último dia 26.

“A imagem social do Ministério Público deve ser resguardada. A sociedade deve ter a plena convicção de que os Membros do Ministério Público se pautam pela legalidade, mantendo a imparcialidade, evitando conflitos de interesse entre sua atuação funcional e atividades acadêmicas privadas, bem como mantendo o zelo para com as instituições”, escreveu Rochadel ao explicar a instauração da reclamação disciplinar.

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