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Coronavírus: terceiro estado com mais casos no país, Ceará é considerado especialmente vulnerável

Entre as medidas de contenção estão o uso de estádio esportivos para leitos e ativação de hospital

RIO – Terceiro estado com mais casos confirmados do novo coronavírus no país, o Ceará trabalha na abertura de leitos de UTI e na tentativa de evitar a disseminação do contágio pelo interior do estado, menos atendido pela rede hospitalar.

Depois de ter declarado estado de transmissão comunitária na última sexta — quando há casos de contaminação em que não é mais possível determinar a origem do contágio —, o governo estadual afirma que o avanço de casos até agora, concentrados na capital Fortaleza, se explica em grande parte pela movimentação em aeroportos e por contatos com pessoas vindas do exterior. Especialistas aprovam as medidas adotadas pelo governo, mas alertam para a aparição de casos suspeitos em bairros de menor poder aquisitivo.

Segundo boletim do Ministério da Saúde desta quarta, o Ceará contabiliza 200 casos para Covid-19, atrás apenas de Rio (370) e São Paulo (862), e acima de estados mais populosos, como Minas Gerais (133) e Bahia (84). No último dia 20, quando declarou estado de transmissão comunitária, o Ceará tinha 68 casos confirmados. Um dos que contraíram a doença foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PDT).

Para a identificação da doença e por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo adquiriu 350 mil testes rápidos, que fornecem resultados entre cinco a dez minutos. Segundo a secretaria estadual de Saúde, os primeiros casos da Covid-19 foram identificados em hospitais privados de Fortaleza, e a demora para as notificações ainda mantém o governo em uma corrida para frear a disseminação.

— Em retrospectiva, percebemos um “delay” de cerca de um mês em que o vírus circulou sem notificação. Os primeiros sintomas dos casos iniciais começaram no dia 15 de fevereiro, mas esses casos só foram confirmados em 15 de março — afirmou a secretária executiva de Vigilância e Regulação, Madga Almeida.

Segundo Magda, a identificação de casos “importados” de outros países e regiões no início da contaminação no Ceará indica o canal aeroportuário como um dos principais vetores do vírus no estado. Segundo dados da Anac, o aeroporto de Fortaleza – que opera como “hub aéreo” com voos diretos para cidades como Madri (Espanha), Orlando (EUA) e Paris (França) – já recebeu 1,4 milhão de passageiros neste ano, sendo 94 mil de voos internacionais. O movimento supera o de outras capitais do Nordeste, como Salvador, e fica atrás apenas de Recife na região.

Ao detectar transmissão comunitária, o Ceará entrou oficialmente em plano de mitigação, quando o objetivo é desacelerar o ritmo de contágio. Segundo a secretária executiva, ainda há também um esforço de contenção em alguns bairros de Fortaleza, onde a maioria dos casos se concentra em bairros de classes média e alta, e principalmente no interior do estado.

Grupo de risco

Um estudo produzido por pesquisadores do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) incluiu o Ceará em um grupo de cinco estados — que inclui ainda Rio, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte — considerados especialmente vulneráveis diante do avanço do novo coronavírus. O estudo leva em consideração fatores como a disponibilidade e infraestrutura de leitos de UTI e mortalidade por doenças respiratórias registrada em anos anteriores, e leva em consideração uma estimativa de que 5% dos infectados precisem ser internados em unidades intensivas com uso de respiradores.

Nessa projeção, segundo o estudo, o Ceará experimentaria indisponibilidade de leitos em sua rede de UTI caso 65 a cada 100 mil habitantes estejam contaminados simultaneamente. Até o último dia 24, a taxa de casos confirmados era de 2 a cada 100 mil habitantes. Ainda de acordo com o estudo, cerca de 75% dos leitos de UTI adultos de todo o estado estão na capital Fortaleza.

— Temos uma capacidade pequena de UTI, isso é notório. Havia um plano de expansão para três anos, inclusive para o interior. Agora, essa expansão terá que ser executada em semanas — afirmou a secretária.

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