Política

‘CPI da Censura’ alcança número suficiente de assinaturas e pode ser instaurada na Câmara

Documento já foi entregue à Casa e ainda precisa ser aceito pelo presidente Jorge Felippe (MDB); vereadores veem abuso de autoridade por parte de Crivella, em episódio na Bienal do Livro

RIO — A iniciativa do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, de enviar agentes à Bienal do Livro para avaliar as obras literárias expostas, em busca de materiais tidos por ele como “impróprios”, pode virar mais uma CPI para investigar atos do chefe do executivo municipal. A polêmica começou quando Crivella decidiu pedir o recolhimento de uma novela gráfica da Marvel, onde dois heróis do sexo masculino se beijavam .

Um documento que pede a abertura da “CPI da Censura” reuniu assinaturas suficientes para que ela seja instaurada. De acordo com o vereador Renato Cinco (PSOL), o documento já foi entregue à Câmara e agora depende da aprovação do presidente da Casa Jorge Felippe (MDB).

— Preciso chamar a atenção para duas questões. Uma questão é o prefeito abusar da autoridade e se intitular censor da moral e dos bons costumes da Cidade do Rio de Janeiro. Independentemente do conteúdo de qualquer obra, o prefeito não tem essa atribuição. Agora, fica mais grave quando o Prefeito usa de mentira para justificar a sua ação. O Prefeito disse que havia cenas impróprias para menores nessa revista. Não há cenas impróprias para menores nessa revista! Ou qualquer cena de beijo tem que ser considerada imprópria ou o que há é preconceito contra o beijo de homossexuais — disse o vereador do PSOL durante debate nesta quarta na Câmara.

A ida dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) ocorreu nos dias 5,6,7 e 8 de setembro, de acordo com o texto dos vereadores. O alvo eram publicações tidas como “impróprias” pela prefeitura. Para Cinco, relator do pedido de abertura da CPI, foi uma espécie de “blitz” discriminatória a obras com temática LGBT.

— O fim da Bienal não significa que o episódio foi superado. Em breve a CPI vai apresentar um plano de trabalho, com objetivo de ouvir agentes que participaram da ação e entender os danos gerados a liberdade de pensamento por este caso. “Prefeito não é censor. É uma atitude ditatorial —, concluiu Cinco.

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