Polícia

Crime da 113 Sul: Adriana Villela presta depoimento no Tribunal do Júri de Brasília

Arquiteta é acusada de mandar matar os pais e a empregada da família, em 2009. Julgamento já dura mais de 85 horas e é considerado o mais longo da história do DF.

A arquiteta Adriana Villela começou a prestar depoimento, no Tribunal do Júri de Brasília, na manhã desta terça-feira (1º). Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do pai, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela; da mãe, Maria Villela; e da empregada da família, Francisca Nascimento.

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A sessão iniciou às 9h30 e ainda não há um prazo para que a sentença seja anunciada. Adriana chegou ao local às 9h17, acompanhada da filha, do irmão e dos advogados .

O juiz Paulo Rogério Santos Giordano – que conduz a audiência – foi o primeiro a interrogar a ré. Adriana Villela respondeu sobre a relacionamento dela com os pais e disse que mantinha uma “relação amorosa” com a família.

“Quando esse crime aconteceu, minha família estava muito feliz.”

Este é o 9º dia do julgamento. Todo o processo já ultrapassou 85 horas de duração e é considerado o mais longo da história do Distrito Federal. O crime ocorreu em 2009 e ficou conhecido como “triplo assassinato da 113 Sul” (relembre no fim da reportagem).

9º dia de julgamento da arquiteta Adriana Villela — Foto: Afonso Ferreira/G1

9º dia de julgamento da arquiteta Adriana Villela — Foto: Afonso Ferreira/G1

O depoimento

Questionada pelo juiz sobre possíveis conflitos com os pais, Adriana negou que houvesse brigas e chorou ao falar sobre a falta de apoio da família para a profissão escolhida por ela.

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Em seguida, a arquiteta acusada disse que “sempre recebeu apoio dos pais” e afirmou que a acusação contra ela “mancha a imagem da família”.

“O crime de parricídio, ao qual vocês me acusam é um crime muito mais grave do que o de homicídio. Porque ele mancha a imagem dos meus pais e isso não aconteceu. Ninguém da minha família poderia fazer isso.”

Ainda no depoimento, Adriana falou sobre os investimentos da família. “Meus pais faziam uma poupança e, nela, eles não mexiam. Eles me ajudavam quando entravam outros recursos, mas nunca me inteirei disso”.

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“O quanto eles ganhavam não era assunto dos outros, somente deles. Foi muito vexaminoso pra mim ter que responder quanto eu ganhava de mesada.”

Já o advogado de defesa da ré informou ao magistrado que Adriana vai responder todas as perguntas do juiz e dos jurados, mas se recusa a responder os questionamento do Ministério Público.

Entenda o caso

Maria Carvalho Mendes Villela e José Guilherme Villela, mortos em 2009 em apartamento na Asa Sul — Foto: Arquivo pessoal

Maria Carvalho Mendes Villela e José Guilherme Villela, mortos em 2009 em apartamento na Asa Sul — Foto: Arquivo pessoal

Adriana Villela, de 55 anos, é ré por triplo homicídio em um processo com mais de 20 mil páginas. No dia do crime, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados:

  • o pai dela, José Guilherme Villela, 73 anos, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 38 facadas;
  • a mãe dela, Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, advogada, com 12 facadas;
  • a empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos, com 23 facadas.

Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul. A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15.

Adriana sempre negou todas as acusações. A defesa dela argumenta que o “processo é uma distorção psicológica feita pelo Ministério Público”.O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alega que uma “linha do tempo” feita pela defesa comprova todos os passos da acusada no dia do crime.

caso ocorreu em 2009 e ficou conhecido como 'crime da 113 Sul, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

caso ocorreu em 2009 e ficou conhecido como ‘crime da 113 Sul, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Já o MP sempre disse ter convicção de que Adriana esteve na cena do crime e foi a mandante dos três assassinatos. Para a acusação, ela tinha desentendimentos com os pais por causa de dinheiro, e essa seria a motivação dos crimes.

Em 2013, três homens foram condenados pela execução dos homicídios. Somadas, as penas de Leonardo Campos Alves, Paulo Cardoso Santana e Francisco Mairlon Barros Aguiar passam de 177 anos de prisão.

Via
G1
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