Lava Jato

Dario Messer e Horacio Cartes lavaram dinheiro para tráfico de drogas, de armas e contrabando de cigarros, diz investigação

Doleiro e ex-presidente do Paraguai são apontados como líderes de uma megaorganização criminosa

Os negócios espúrios entre os ‘irmãos de alma’ Dario Messer e Horacio Cartes, alvos da operação Patrón , foram muito além do esquema de lavagem de dinheiro envolvendo casas de câmbio e compra e venda de dólares e chegaram ao tráfico de drogas , contrabando de armas e de cigarro na tríplice fronteira. De acordo com as investigações da força-tarefa da Lava-Jato, o doleiro e o ex-presidente paraguaio comandavam uma organização criminosa que atuava em várias frentes e movimentava milhões de dólares.

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As transações ilegais do grupo vinham sendo monitoradas há duas décadas por diferentes agências americanas de investigação como departamentos antidrogas (DEA); de lavagem de dinheiro e de confisco (DOJ); de controle de armas (ATF) e de ativos estrangeiros (OFAC); Receita; Alfândega; Banco Central; polícia e procuradoria de Nova York, entre outros. Todas elas eram feitas a partir de Assunção e de Ciudad del Este, na divisa de Brasil, Paraguai e Argentina.

Boa parte do patrimônio de Cartes, dizem os investigadores, cresceram com a produção de cigarros de sua empresa Tabacalera Del Este, situada na tríplice fronteira, e ponto de partida para a distribuição de cigarros contrabandeados para o Brasil.

Cartes é apontado pela força-tarefa como líder do “núcleo político” do esquema, uma vez que também detém forte poder econômico por ser proprietário de dono de dezenas de empresas do seu conglomerado,incluindo banco, empresas de tabaco, refrigerantes, produção de carne. Riqueza essa que alavancou sua carreira política até chegar à Presidência da República.

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Conversas captadas
A partir de extratos e conversas encontradas nos celulares apreendidos com Messer no dia de sua prisão, em julho do ano passado, em São Paulo, foi possível verificar que, mesmo foragido, ele mantinha o controle do esquema criminoso de lavagem e como conseguiu proteção de criminosos paraguaios para se esconder por 14 meses.

O teor do conteúdo de mensagens trocados no aplicativo Whatsapp e telas capturadas dessas conversas com outros integrantes da organização foram armazenadas nos celulares pelo próprio Messer, que tinha o cuidado de apagar as mensagens mas capturava as conversas mais relevantes para controle do esquema.

Nas conversas capturadas pelos investigadores é possível confirmar que nos primeiros meses de fuga no Paraguai, apesar de também ser considerado foragido nesse país, Messer permaneceu, em Salto del Gauíra, sob a proteção do poderoso contrabandista e também investigado na operação de hoje Roque Silveira, que além estar associado ao contrabando de cigarros é procurado da Justiça por dois homicídios no Brasil – de um empresário em 1996 e de um servidor da Receita Federal em 2006.

Roque é conhecido no Paraguai pelo apelido de “Zero Um” por ter se tornado um dos empresários mais poderosos do país e ter feito fortuna com fabricação de cigarros que são contrabandeados para o Brasil.

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Entre as mensagens nos celulares de Messer analisadas pela PF, fotos e acessos à rede Wi-fi da Família Motta, também envolvida com o contrabando de cigarros e tráfico de drogas, deixa claro que o doleiro ficou escondido em um de seus imóveis, na cidade de Pedro Juan Caballero, de maio a setembro de 2018.

Via
O GLOBO
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