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Delegada entrega cargo após chefe de investigação ser preso por suspeita de ligação com milícia

Giniton Lages, primeiro responsável pela investigação das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, assume a delegacia da Barra da Tijuca

A delegada Adriana Belém entregou seu cargo de titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) ao secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga, na manhã desta sexta-feira. A informação foi adiantada pelo colunista Lauro Jardim. Isso aconteceu um dia depois de o chefe do Setor de Investigações (SI) da delegacia ser preso na operação Os Intocáveis II. De acordo com o Ministério Público (MP) do Rio, Jorge Luiz Camillo Alves é suspeito de dar apoio a milicianos que atuam na Zona Norte do Rio, como os da Muzema, alvos de investigação pela qual era responsável.

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— Agradeço o trabalho da delegada Adriana Belém pelo serviço prestado na 16ª DP nos últimos anos à frente daquela delegacia. Hoje pela manhã, ela me ligou e disse que estava entregando o cargo. Aceitei o pedido de saída e desejei boa sorte. O delegado Giniton Lages assumirá a distrital — disse o Marcus Vinícius Braga.

Segundo ele, ainda não foi definido para onde Adriana será transferida. Belém estava lotada na 16ª DP desde 2018. Ao GLOBO, ela disse, a delegada disse que decidiu entregar o cargo “para a lisura e isenção das investigações”:

— Eu confirmou que entreguei o meu cargo ao secretário. Conversamos, e para a isenção e a lisura das investigações e por respeito à população da Barra, pedi para sair da 16ª DP.

Ela preferiu não comentar a prisão de seus investigadores.

— Prefiro deixar que a apuração fique a cargo do Ministério Público e da Justiça — disse a delegada.

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Já Giniton Lages foi o primeiro responsável pela investigação das mortes da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, quando estava à frente da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Além do chefe de investigações, outro policial da 16ª DP foi preso, também por suspeita de envolvimento com a milícia: Alex Fabiano Costa de Abreu. Ele e Camillo receberiam propina dos paramilitares.

De acordo com o MP, além dos dois agentes e outros sete policiais (um civil e seis PMs) teriam ligações com milicianos.

Conversas com acusado de matar Marielle e Anderson

De acordo com o MP, Camillo — preso em casa — foi flagrado em uma “intensa sequência de diálogos” com Ronnie Lessa, acusado de executar Marielle e Anderson junto com Élcio de Queiroz. O MP chegou a esse policial civil graças à análise de um telefone celular apreendido na Operação Lume, durante a qual Lessa e Queiroz foram presos.

O policial era tratado por Lessa como o Amigo da 16, em referência à delegacia da Barra da Tijuca, informou o MP. Segundo o órgão, o tratamento se repetia em “em vários trechos dos diálogos”.

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Via
O GLOBO
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