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Dois pacientes morrem após hospital Ronaldo Gazolla, referência para coronavírus, ficar sem luz

Funcionários relataram que os geradores não funcionaram e tiveram que reanimar os pacientes manualmente. Prefeitura nega que mortes sejam relacionadas ao apagão

Rio — Dois pacientes morreram ontem durante uma interrupção de energia no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte do Rio, unidade de referência no tratamento da Covid-19. O caso foi anunciado pelo RJ-TV, da Rede Globo. A falta de luz ocorreu por volta das 13h20 em todo o hospital, mas, segundo relatos de funcionários, não houve o acionamento automático dos geradores. A prefeitura nega a relação das mortes com a suspensão de energia.

Um profissional que trabalha na unidade contou ao GLOBO que, durante a falta de energia, vários pacientes tiveram paradas cardiorrespiratórias. Segundo ele, a queda de luz, que durou cerca de cinco minutos, é comum na unidade. A r eportagem da TV Globo mostrou que Bernardo dos Reis Santos, de 24 anos, que estava na UTI havia uma semana, morreu. A segunda vítima foi Sheyla Therezinha Ferreira Gomes, de 59 anos, que chegou a ser reanimada, mas não resistiu e faleceu uma hora depois.

Profissionais relataram que, sem energia, os respiradores pararam de funcionar. Eles tiveram que recorrer ao ambu, um reanimador manual que o funcionário usa para ventilar o paciente. Porém, para fazer essa manobra, é necessário usar um filtro para evitar o contágio do profissional, mas há falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) na unidade.

— Temos um EPI para cada dez pacientes — disse.

O Sindicato dos Médicos cobrou uma sindicância para apurar as mortes dos dois pacientes. Esta semana, servidores denunciaram que insumos e até funcionários do Ronaldo Gazolla foram transferidos para o hospital de campanha do Riocentro, aberto na semana passada pela prefeitura.

A Light disse que a queda de energia no Ronaldo Gazolla foi causada por um tiro atingiu a linha de abastecimento da unidade. Procurada, a prefeitura lamentou a morte dos pacientes, mas alegou que elas não tiveram relação com a falta de luz. Os equipamentos usados, segundo o município, continuaram a funcionar com “baterias próprias.”

Leia a íntegra da nota da Light

“A Light informa que registrou uma interrupção por consequência de projétil de bala (tiro) que atingiu a linha que abastece o hospital às 13h20. O fornecimento foi restabelecido às 14h02.


Dentro do plano de priorização do atendimento de emergência da Light a hospitais e clínicas, restabelecemos o fornecimento no prazo mais curto possível.

É importante ressaltar que o hospital tem dupla alimentação. Isso significa que eles recebem energia por dois cabos diferentes. O que foi atingido por bala e o outro que estava íntegro, funcionando normalmente. O hospital possui um equipamento de transferência automática, para em caso de falta de energia, usar a outra linha da Light que estava funcionando normalmente.

Importante ressaltar ainda que em nenhum momento o hospital ficou sem entrega de energia pela Light, mas que por problemas internos o hospital não conseguiu entrar com a energia.”

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