GeralJustiçaLava Jato

Em delação, Palocci revela repasses da Qualicorp ao filho de Lula

Segundo a revista Veja, em troca de benefícios na ANS, a empresa deu dinheiro ao PT, ao Instituto Lula e à Touchdown, de Luis Cláudio da Silva

O ex-ministro petista Antonio Palocci revelou, em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o repasse de recursos do grupo Qualicorp ao PT, ao Instituto Lula e à empresa Touchdown, de Luis Cláudio Lula da Silva, 30 anos, filho caçula do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (14) pela coluna Radar, da revista Veja.

Os pagamentos, de acordo com a revista, teriam sido feitos em troca de “benefícios concedidos pelo governo” à empresa na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em março, a Polícia Federal indiciou Lula e o filho Luís Cláudio pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. A Touchdown passou a ser investigada em 2017, com as delações da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato. A empresa teria recebido mais de R$ 10 milhões de patrocinadores.

Em nota enviada ao R7, a Qualicorp afirma que é uma companhia de capital aberto, com milhares de acionistas nacionais e internacionais, e seus contratos são auditados por empresas renomadas. “Sua atividade é exclusivamente privada e depende da contratação voluntária de cada cliente de plano de saúde. A empresa nunca pleiteou ou obteve qualquer tipo de benefício público e jamais transgrediu a lei. A companhia não comentará supostas acusações do ex-ministro, que foram rejeitadas pelo Ministério Público Federal por ausência de base fática.”

O PT também divulou nota assinada pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann, afirmando que “nada que Antonio Palocci diga sobre o PT e seus dirigentes tem qualquer resquício de credibilidade desde que ele negociou com a Polícia Federal, no âmbito da Lava Jato, um pacote de mentiras para escapar da cadeia e usufruir de dezenas de milhões em valores que haviam sido bloqueados”. Ainda segundo o partido, supostas gravações de membros da Operação Lava Jato divulgadas plo site “The Intercept Brasil” indicariam que as afirmações do ex-ministro eram desqualificadas dentro da força-tarefa.

De acordo com a revista Veja, o acordo firmado pelo ex-ministro no Supremo tem 23 anexos, que tratam de 12 políticos, entre ex-ministros de Estado, parlamentares e ex-parlamentares – além de grandes empresas.

Campanhas eleitorais

Segundo a reportagem, baseada nas declarações de Palocci, o PT recebeu R$ 270,5 milhões para suas campanhas eleitorais de 2002 a 2014. As doações (parte delas não declarada) partiam de grandes grupos e empresas em troca de favores do partido.

O ex-ministro narra o esforço petista para sepultar a Operação Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por esse empenho, a legenda aceitou R$ 50 milhões em propinas pagas pela Camargo Corrêa na forma de doação eleitoral para Dilma em 2010 e para outros políticos petistas, como Gleisi Hoffmann, atual presidente do PT.

Palocci afirmou que Gleisi recebeu de três empreiteiras (Camargo Correa, Odebrecht e OAS) a quantia de R$ 3,8 milhões na campanha de 2010, quando se elegeu senadora pelo Paraná.
De acordo com a reportagem, diversos empresários apoiaram financeiramente as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff em troca de benefícios, que variavam desde a “menor tributação para um setor específico, obtenção de alguma linha de crédito no BNDES para essas empresas a auxílio em fusão de grupos de um mesmo setor a apoio da base governistas a medidas que tramitavam no Congresso”.

As negociações com os doadores, diz a revista, eram fechadas por Palocci e pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari.

A delação premiada de Palocci foi fechada com a Polícia Federal e homologada pelo ministro Edson Fachin, chefe da Lava Jato no STF.

Veja também: Operação do Ministério Público contra o tráfico em nove estados prende 67

Etiquetas

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios