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Entenda os efeitos da geosmina sobre a saúde humana

Segundo neurocientista da UFRJ, não existem estudos que comprovem que a geosmina não seja tóxica, como afirma a Cedae

RIO – Conhecido por seus estudos sobre o impacto do zika no cérebro e autor de pesquisas sobre os efeitos de toxinas produzidas pelas mesmas cianobactérias da geosmina, o neurocientista Stevens Rehen, professor titular da UFRJ e diretor científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, diz que é preciso investigar o mais depressa possível os efeitos dessas substâncias sobre a saúde.

A geosmina não é considerada tóxica. Mas o que de fato se sabe sobre o impacto dela nas células humanas?

A geosmina (em grego, cheiro de terra) é um composto orgânico produzido por diversos micro-organismos, incluindo cianobactérias. É uma molécula volátil, que mostrou ter enorme capacidade atratora sobre mosquitos do gênero Aedes (cujas larvas podem se alimentar de cianobactérias) e curiosamente repelente para as moscas de fruta (Drosófilas) que identificam na presença da geosmina um sinal de alerta sobre a qualidade da água.
O que sabemos?
Sabemos que existe a possibilidade do aumento da proliferação de mosquitos pela presença de geosmina, que pode funcionar como isca para a deposição de ovos. Isso a ciência mostrou. Em princípio não seria uma molécula tóxica, por outro lado não há estudos suficientes que descartem completamente seu efeito em células humanas.

O que isso significa? 
Em resumo, não existem estudos que comprovem que a geosmina não seja tóxica ou cause algum tipo de alteração no metabolismo de células humanas, muito menos sobre os indivíduos. Há inclusive algumas evidências recentes que, em doses altas, a geosmina seja capaz de causar lesões de DNA em linhagens celulares de hamster, primatas e cães.  Além disso, não há conhecimento sobre os efeitos da geosmina combinada a outras condições ambientais ou de saúde. Haveria aumento de toxicidade ou virulência de vírus como dengue, chikungunya, zika etc em pessoas que consomem cronicamente geosmina? E sobre pacientes debilitados, com câncer, doenças pulmonares? E sobre bebês? É preciso pesquisar, é preciso investir na ciência.

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