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“Está na hora de romper o poder do Facebook”, diz Chris Hughes, co-fundador da rede social

Em artigo para o 'NYT', ele afirma que plataforma sacrificou 'a segurança e a civilidade em troca de cliques'

NOVA YORK – Chris Hughes era colega de quarto de Mark Zuckerberg e fundou o Facebook junto com ele de seu dormitório em Harvard. Há dez anos não trabalha mais na rede social. Mas, em artigo publicado nesta quinta-feira no “The New York Times”, Hughes é enfático: “Está na hora de quebrar o poder do Facebook”

Segundo Hughes, a gigante tecnológica se tornou muito poderosa. Ele afirma que a influência de Zuckerberg atualmente “é impressionante, muito além da exercida por qualquer outra pessoa no setor privado ou no governo”.

Além disso, seu foco em crescer levou o Facebook a “sacrificar a segurança e a civilidade em troca de cliques”.
Pelo grande volume de dados pessoais que coletaram sobre as pessoas que usam suas plataformas, o Facebook e outras empresas de tecnologia têm recebido uma série de críticas nos EUA e na Europa. Entre os pontos discutidos, o foco está na vulnerabilidade para a manipulação e compartilhamento de “fake news”, além dessas redes como espaços para a propagação dos discursos de ódio e incentivo à violência.

A senadora democrata Elizabeth Warren, candidata à presidência americana em 2020, já havia pedido o fim do Facebook, da Amazon Inc. e Alphabet Inc., sob justificativa de que essas empresas são “gigantes anticompetitivas que eliminam a concorrência”. A proposta de Warren pede uma legislação para empresas “utilitárias de plataformas”, como essas, e propõe que algumas das fusões, incluindo as compras do WhatsApp e do Instagram pelo Facebook, sejam desfeitas, mudança com a qual Hughes concordou.

O co-fundador também sugeriu a criação de um nova agência governamental de regulação para tecnologia e questões de privacidade. Em fevereiro deste ano, foi anunciado que a Federal Trade Commission (FTC), reguladores federais dos Estados Unidos, pode estar prestes a atingir o Facebook com uma multa bilionária por suas práticas de privacidade de dados , de US$ 5 bilhões.

Como Zuckerberg controla a maioria das ações com direito a voto da empresa, o conselho trabalha “mais como um comitê consultivo”, escreveu Hughes, deixando para Zuckerberg sozinho decidir os algoritmos por trás do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Por diversas vezes, Zuckerberg teve que comparecer ao Congresso para responder sobre questões de privacidade e interferência eleitoral. Durante boa parte do último ano, o fundador se desculpou e prometeu restaurar a confiança com os mais de 2 bilhões de usuários do Facebook em todo o mundo.

Quando o Facebook estava começando, Hughes serviu de porta-voz da empresa, e em 2007 saiu para trabalhar voluntariamente na campanha presidencial de Barack Obama. Segundo o co-fundador, na época em que a rede foi lançada, ele e outros fundadores do Facebook não percebiam como o algoritmo da rede social “poderia mudar nossa cultura, influenciar eleições e capacitar líderes nacionalistas”, escreveu. Mas agora ele disse que sente “um sentimento de raiva e responsabilidade”.

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