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Estudantes se manifestam dentro de universidades em Teerã para evitar repressão

É o quarto dia de manifestações contra demora do governo em admitir que míssil derrubou por engano avião civil

TEERÃ —  Os estudantes universitários iranianos voltaram a protestar nesta terça-feira, pelo quarto dia seguido, contra a demora do governo em reconhecer que um míssil disparado por engano derrubou um avião da Ukraine International Airlines, resultando na morte de 176 pessoas no dia 8 de janeiro. As manifestações aconteceram dentro das próprias instituições de ensino, uma forma de evitar a repressão das forças policiais. Mais uma vez, um grande esquema de segurança, com policiamento reforçado e veículos blindados, foi montado na região central de Teerã.

A série de protestos teve início no sábado, dia em que o governo iraniano reconheceu ter abatido por engano a aeronave. A demora em reconhecer sua participação, depois de dois dias de negativas, revoltou a população. Estudantes de diferentes instituições da capital começaram vigílias em homenagem às vítimas que depois se converteram em manifestações. Outras grandes cidades iranianas aderiram ao movimento, como Isfahã e Shiraz.

Nesta terça-feira, protestos aconteceram nos campi das principais universidades da capital — Sharif, Sahid Behest, Universidade de Teerã e Amir Kabir. Um aluno da Universidade de Teerã disse que não houve coordenação entre os representantes estudantis de cada universidade, mas todos sentiram que deveriam evitar se manifestar em locais públicos abertos, fora dos campi, para não serem reprimidos.

A maior manifestação aconteceu na Universidade de Teerã, na Faculdade de Ciências Médicas. A partir do meio da tarde, centenas de estudantes se reuniram no local e entoaram slogans contra as autoridades do país, cobrando pelas “mentiras” contadas para a população. “Sem reforma, sem referendo; greve e revolução”, dizia um dos cantos. Mais uma vez, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi duramente criticado.

No fim da tarde, os estudantes se dispersaram, passando ao deixarem o local por dezenas de policiais, que estavam posicionados nas esquinas no entorno da universidade. Não houve confronto, mas o esquema de segurança permanecia vigente durante a noite. Um novo protesto teve início na Universidade de Tecnologia Amir Kabir. Até o fim da noite (horário local), não havia relatos de repressão das forças policiais.

Na noite de domingo, um protesto na Praça Azadi, na capital, acabou duramente reprimido pela polícia. Vídeos postados nas redes sociais mostram pessoas correndo pelas avenidas da região, entre os carros, para fugir de disparos de armas de fogo. Outros mostram pessoas feridas no chão, ao lado de grandes marcas de sangue na calçada. A polícia de Teerã negou ter disparado com munição letal contra os participantes dos protestos.

Novos vídeos de violência contra os manifestantes circularam nesta terça-feira. Em um deles, veiculado pelo canal Iran International —  só transmitido no Irã via serviços de televisão por satélite —  mostra um jovem cercado por mais ou menos cinco policiais, que o agridem diversas vezes com golpes de cassetete.

Desde o início dos protestos, cerca de 30 pessoas foram presas, informou o porta-voz do Judiciário, Gholamhossein Esmaeilli, de acordo com a agência de notícias estudantil ISNA. Esmaelli ainda acrescentou que as forças de segurança não perseguem aqueles que “protestam pacificamente”, que seriam tratados com cortesia e clemência.

— Mas não estendemos essa mesma cortesia para aqueles que agem contra as forças de ordem — disse o porta-voz.

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POR: O GLOBO
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