Política

Expulsão de Aécio do PSDB, em crise interna, pode parar na Justiça

Fogo amigo se alastra pelo partido, e nova tentativa para evitar entrada de Alexandre Frota é apresentada a colegiado

SÃO PAULO — Em meio à crise interna deflagrada após a filiação do deputado federal Alexandre Frota e da vitória do deputado federal Aécio Neves na executiva nacional, que votou pela sua manutenção no PSDB , o partido se prepara para enfrentar um processo que pode extrapolar a barreira partidária. Ao mesmo tempo em que um grupo de tucanos quer recorrer à instância maior da legenda para tentar evitar a entrada de Frota, expulso pelo PSL, outra preocupação é na esfera jurídica, uma vez que lideranças tucanas não descartam a judicialização do processo envolvendo Aécio.

Além disso, o fogo amigo domina as fileiras da sigla. Em entrevista recente, o presidente do PSDB em São Paulo, Fernando Alfredo, declarou, à “Folha de S.Paulo”, sem citar nomes, que “boa parte da turma que votou no Aécio pela não expulsão é a turma para quem ele distribuiu dinheiro”, e que o deputado mineiro prejudicou o partido, em especial o prefeito (paulista) Bruno Covas. Tanto Bruno como o governador de São Paulo, João Doria, vinham fazendo campanha pela saída do colega mineiro.

O prefeito paulista chegou a ser contundente: “Ou ele ou eu”. Doria, que defendia o afastamento de Aécio para que fizesse sua defesa fora da sigla, queixou-se após ver a executiva poupar o correligionário.

O governador de São Paulo afirmou por meio do Twitter que o “PSDB escolheu o lado errado”, e que a decisão do diretório nacional “não reflete o sentimento da opinião pública brasileira”.

Por mais que não esteja enterrado, o caso de Aécio só deve ter novos rumos caso ele seja condenado judicialmente. Grampeado pedindo R$ 2 milhões ao então dono da JBS, Joesley Batista, para que pudesse pagar despesas com sua defesa na Justiça, o então presidente do PSDB perdeu espaço no partido desde então.

O tucano mineiro é alvo de ao menos oito inquéritos e é réu por corrupção passiva e obstrução da Justiça. As investigações foram abertas após delações da Odebrecht, da JBS e do ex-senador petista Delcídio Amaral, a partir de desdobramentos da Lava-Jato. Aécio é réu no processo relativo ao episódio envolvendo Joesley. O deputado nega. Ele ainda não foi julgado.

Regras
O departamento jurídico do PSDB afirmou que o código de ética do partido prevê expulsão de filiados quando há condenação pela Justiça — o que não é o caso do parlamentar mineiro — e que uma eventual “judicialização” do processo não cabe à legenda.

Procurado pelo GLOBO, Bruno Covas não comentou se pretende deixar a legenda.

O outro caso que balançou o PSDB na última semana foi o de Alexandre Frota. O diretório estadual do PSDB de São Paulo foi responsável por arquivar na última terça-feira o documento que pedia a impugnação da ficha do recém-filiado.

Os autores do documento, José Aníbal e Pedro Tobias, no entanto, protocolaram o mesmo pedido também à cúpula do partido. O colegiado pode decidir nos próximos dias se barra ou não a entrada do ex-deputado do PSL.

Partiu da boca de Frota o motivo pela reação tucana. No documento, Tobias e Aníbal afirmam que o PSDB não pode ser usado por pessoas que estejam “à margem de sua carga histórica e ideológica” e destacam ofensas proferidas por Frota recentemente, como a que ele se refere a Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e considerado uma liderança emblemática do PSDB, como um “porco” e um “rato de esgoto e acuado”.

Além do mais, alguns tucanos se incomodaram com a defesa que Frota fez da candidatura de Joice Hasselmann, líder do governo Bolsonaro no Congresso, à prefeitura de São Paulo horas antes de se filiar ao PSDB. Para eles, já fechado com a nova sigla, o deputado deveria ter endossado a candidatura de Bruno Covas, atual prefeito e candidato natural tucano à reeleição.

A cúpula nacional é presidida por Bruno Araújo, próximo ao governador João Doria, de quem partiu o convite para Frota se filiar à sigla. Aníbal não parece otimista em relação o que o diretório pode decidir. Respondeu com um “não sei, vamos ver” quando perguntado sobre as expectativas.

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