Economia

Federação de petroleiros recomenda suspensão temporária de greve

Sindicatos realizarão assembleias em todo o país nesta quinta-feira (20). Segundo FUP, greve será retomada caso não haja avanços em mediação marcada para sexta-feira (21) no TST.

O conselho deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne direções sindicais de todo o país, decidiu recomendar a suspensão provisória da greve. A interrupção da paralisação ainda precisa ser votada nesta quinta-feira (20) em assembleias a serem realizadas pelos sindicatos locais até às 15h.

O objetivo da suspensão temporária é, segundo nota divulgada pela federação, permitir que a comissão de negociação da entidade participe na sexta-feira (21) de uma reunião de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), com representantes do Ministério Público do Trabalho.

“O indicativo destaca ainda que a greve será retomada, caso não haja avanços na mediação feita pelo Tribunal”, afirmou a FUP em nota divulgada na noite desta quarta-feira (19).

A reunião de mediação entre a Petrobras e petroleiros prevista para sexta-feira foi marcada pelo ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, do TST. Mas foi condicionada à suspensão da greve, que começou no dia 1º de fevereiro.

A reunião no TST é uma chance de resolver a controvérsia entre trabalhadores e empregados antes do julgamento definitivo do caso no tribunal, marcado para o dia 9 de março.

No dia 17, Ives Gandra considerou a greve dos petroleiros ‘ilegal’, atendendo a pedido da Petrobras. Ele autorizou ainda que a estatal tome “medidas administrativas cabíveis”, como corte de salários, sanções disciplinares e demissão por justa causa. Os petroleiros, no entanto, decidiram recorrer e manter a greve.

Na terça-feira, a desembargadora Rosalie Michaele Bacila Batista, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9ª Região, determinou a suspensão da demissão dos trabalhadores da subsidiária da Petrobras Araucária Nitrogenados (Ansa), em Araucária (PR), que motivou o início da greve dos petroleiros.

A paralisação começou em 1º de fevereiro com o pedido da categoria para suspender as demissões na subsidiária da Petrobras. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as demissões afetam mais de mil famílias.

Os petroleiros também querem o estabelecimento de negociação com a Petrobras para cumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que, segundo a federação, vem sendo descumpridos. A FNP aponta ainda entre as reivindicações o fim da política de paridade de preços com o mercado internacional.

Em nota divulgada no início da greve, a Petrobras afirmou que o movimento é “descabido” e que tomou as providências necessárias para garantir a continuidade das atividades. De acordo com a estatal, todos os compromissos assumidos na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2019-2020 vêm sendo integralmente cumpridos por parte da empresa.

A Petrobras tem informado que “não há impactos na produção de petróleo e de combustíveis decorrentes da greve” e que “nenhuma plataforma de produção, refinaria, unidade de processamento de gás natural ou térmica teve adesão total à paralisação”.

A FUP afirma que a interrupção da greve está condicionada ao avanço da gestão da empresa na negociação com os trabalhadores.

“Essa unidade que está sendo demonstrada na greve trouxe esperança para os trabalhadores da Fafen e para as nossas famílias. Foi a greve que obrigou a Petrobras a suspender as demissões em massa e a reverter as que já haviam sido aplicadas contra 144”, afirmou na nota divulgada pela FUP o petroquímico Ademir Jacinto.

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