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Foliões usam carimbos, QR Code e ‘procura-se’ nas redes para paquerar no Carnaval

O carnaval dá asas à imaginação. E a criatividade rola solta não só na hora de montar a fantasia, não: para que ninguém chegue à quarta-feira no zero a zero, foliões e folionas inventam de tudo para conquistar aquele crush do bloco. Em plena era digital, há quem recorra a, digamos, uma ferramenta com ar de antigamente: estamos falando de um simples carimbo, redescoberto pelos mais fanfarrões para marcar na pele da paquera aquele contatinho (pode ser o perfil no Instagram ou número de Whatsapp). Só não vale carimbar quem não esteja a fim.

Já foliões 3.0 podem ser vistos por aí com uma camiseta batizada de QR Crush. Criada pela marca Reserva, ela permite que a pessoa seja “escaneada” no bloco por meio de um código de barras bidimensional — estampado bem grande na peça— que leva diretamente até a sua página no Instagram.

— Ela é perfeita para atrair a galera mais tímida, porque aí não tem toda aquela função de puxar assunto, de chegar junto — afirma a estudante de design de moda Victoria Ribeiro, que estreou a sua camiseta (que custa R$ 129) num baile no pré-carnaval. O resultado foram mais seguidores. — Por si só a camiseta já desperta a curiosidade de todos.

QR Code Crush na camisa leva diretamente ao perfil no Instagram da pessoa
QR Code Crush na camisa leva diretamente ao perfil no Instagram da pessoa Foto: MARCELO THEOBALD / Agência O Globo

O carioca Leonardo Silva chama a atenção de um outro jeito: ele criou uma fantasia de médico que seria só mais uma na multidão se não fosse por um detalhe: ele dá receitas acompanhadas de um carimbo. Nele, gravou o seu perfil no Instagram e um sugestivo “Se não lembro, não fiz”. Ele jura que recebe muitos pedidos de “pacientes”:

— Algumas meninas já passaram a me seguir no Instagram e outras acabam lembrando de mim nos blocos no dia seguinte. Porque o carimbo fica marcado, né? Melhor fantasia disparado — brinca Leonardo, que, num bloquinho, distribui receitas do tipo “três doses de tequila”.

O mineiro Rodrigo Grunewald desembarcou na folia do Rio carregando na mala a mesma estratégia de azaração. No carimbo dele, a mensagem que a “a vida não tá fácil, mas eu tô… (aí entra um emoji sorrindo”. E também, claro, seu perfil no Insta.

— O carimbo é bom demais. É eficaz. O maior inimigo é a chuva. Mas saber que a pessoa vai procurar depois vale a pena — resume ele, formado em Direito, garantindo que o carimbo não tem erro. — É muito fácil e engraçado. Não precisa ficar pegando contato nem usar celular.

Em média, um carimbo desses, personalizado, custa R$ 35. A fabricante GruppoW, com loja em Copacabana, recebeu na última semana, principalmente, encomendas de “chama no zap”, “segue lá” e ainda “contatinho”, palavra da moda que foi parar em camiseta. A da Dimona, loja na Saara, vem com espaço para o crush preencher nome, bloco, @ e telefone. Aliás, vários espaços. Ingrid Bispo dos Santos, que trabalha fazendo tranças, saiu do Carmelitas na sexta-feira com uma boa leva:

— Muitos assinavam e tiravam fotos. Até gringos deixaram os seus contatos.

Pensando em facilitar a vida do folião, provocando o primeiro contato nos blocos, a Dimona também personalizou camisetas com perfis do Tinder. As peças vão R$ 29,90 a R$ 39,90.

Nas redes sociais, quem já sofreu em busca de uma paixão de carnaval ajuda outros corações. São verdadeiras ferramentas de utilidade pública, como o recém-aberto perfil no Instagram @acheseucrushnafolia. Funciona assim: basta mandar a foto de quem você quer encontrar por mensagem direta que ela é publicada. Em uma semana no ar, foram mais de 30 “procura-se” postados. E a página vem bombando tanto entre o público — hétero e LGBT — dos blocos alternativos que já aconteceu de um crush ser descoberto por lá em apenas três minutos.

‘Cadê você?’

Tem gente que não economiza e manda dois crushes de uma vez só, vistos no mesmo bloco, para o perfil. Quase todos os postados foram achados, e o anonimato é garantido. Uma engenheira que não se identifica criou a ferramenta após suar em grupos de Whatsapp atrás de um crush (que, no final, descobriu ser comprometido):

— Todo mundo tem uma história de que beijou alguém há um, dois carnavais, nunca mais viu e não pegou o contato. E hoje todo mundo tem mil fotos dos blocos — conta ela, que já recebeu imagens de um casal se beijando após entrar em contato por causa da página. — Ainda estou sonhando em receber a minha própria foto…

No Facebook, o “Oncinha, cadê você?” cumpre papel parecido há nove carnavais. Só que, na página, não entram fotos, só histórias e descrições. Que, aliás, são tudo de bom. Como essa: “Você foi pro Suvaco do Cristo de bermuda, sem camisa e com um abdômen perfeitíssimo que benzadeus, e beijou um monte de mulheres. É claro que também tive a minha vez, até mais de uma vez, porque tava bom! Tanquinho, cadê você?.”

— Em 2011, beijei um cara no Sargento Pimenta vestido de oncinha, que não encontrei mais. Fiz um Tumblr, e a coisa explodiu — lembra Lucy, nome fictício da criadora da página — Continua necessária a mediação porque, às vezes, as pessoas não têm ideia de onde procurar ou são tímidas.

Ela não faz ideia de quantos casais ou “peguetes” formou:

— Com certeza, muita pegação aconteceu. Quero mais é que a galera beije muito!

A cobertura do carnaval de rua do jornal EXTRA tem apoio de Ame Digital.

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POR: EXTRA
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