Internacional

Franceses prestam homenagem ao ex-presidente Jacques Chirac

Tributo popular em homenagem a Chirac, que faleceu na quinta, será no Palácio dos Inválidos, em Paris. Foi declarado luto nacional na segunda-feira (30).

Os franceses prestam, neste domingo (29), uma homenagem popular a seu ex-presidente Jacques Chirac, figura política do país durante quatro décadas, que faleceu na quinta-feira (26) e foi reconhecido como “profundamente francês”, tanto por suas qualidades quanto por seus defeitos. Chirac tinha 86 anos.

O tributo popular foi organizado no Palácio dos Inválidos, em Paris. Na segunda-feira (30), será declarado um dia de luto nacional e será realizada uma cerimônia oficial na presença de inúmeras personalidades estrangeiras.

A morte de Chirac, “o humanista”, uma figura mítica da direita francesa que estava doente há anos e que pouco aparecia em público, comoveu o país que presidiu por 12 anos (1995-2007), depois de ter sido prefeito de Paris entre 1977 e 1995.

Desde quinta-feira, cerca de 5 mil franceses, alguns deles muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu, onde deixaram elogios fervorosos e expressaram sua “ternura” e admiração por Chirac.

O ex-presidente será lembrado por ter se oposto à guerra do Iraque em 2003, por ter reconhecido a responsabilidade da França na deportação de judeus durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e por sua frase “nossa casa está queimando”, um alerta sobre a situação climática lançado em 2002.

Segundo uma pesquisa publicada no Journal du Dimanche, Chirac, cuja popularidade não parou de crescer desde que deixou o Eliseu em 2007, tornou-se o presidente da Quinta República mais amado pelos franceses, empatado com Charles de Gaulle .

Muitos preferem não mencionar as questões judiciais de quem, em 2011, se tornou o primeiro ex-presidente francês a ser condenado (dois anos de prisão com suspensão da pena, por um caso de empregos fantasmas na prefeitura de Paris).

A afeição demonstrada por seus concidadãos se deve “mais” ao “que era” do que “ao que fez”, considerou o jornal conservador Le Figaro.

“Ele se ajustou às contradições de um país”, acrescentou o jornal, para o qual o ex-chefe de Estado “era profundamente francês, com suas virtudes e fraquezas”.
O pátio do Palácio dos Inválidos, um monumento que abriga, entre outros, o túmulo de Napoleão, foi aberto ao público às 14h (9h00 de Brasília) para quem quisesse se despedir do ex-presidente. O caixão foi colocado na entrada da catedral Saint-Louis-des-Invalides.

Luto nacional

Na segunda-feira (30), dia de luto nacional, uma cerimônia reservada à família será realizada pela manhã antes das honras militares, na presença do atual chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

Ao meio-dia, um serviço solene presidido por Macron será realizado na igreja de São Suplício, em Paris.

A presença de numerosas personalidades estrangeiras é esperada, com cerca de 30 chefes de Estado e de governo anunciados.

Entre eles estarão o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o russo Vladimir Putin, o italiano Sergio Mattarella e os primeiros-ministros do Líbano, Saad Hariri, e da Hungria, Viktor Orban. Também estarão presentes líderes da época em que Chirac esteve no poder, como o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.

Ás 15h, um minuto de silêncio será observado nas escolas e repartições públicas.

Além de seus dois mandatos como presidente da República e três como prefeito de Paris, Jacques Chirac também foi primeiro-ministro duas vezes (1974-1976 e 1986-1988), fundou dois partidos conservadores – RPR e UMP -, foi ministro em várias ocasiões desde os 34 anos e deputado de Corrèze (centro).

Ao longo de sua carreira, o falecido ex-presidente permaneceu fiel à sua rejeição à extrema-direita, à sua preocupação com a coesão nacional e à sua visão gaullista da política internacional da França, considerada uma potência equilibrada que dialogava com todos os atores.

Via
G1
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