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Jovem que perdeu couro cabeludo em kart encara acidente com otimismo: ‘Quero ficar boa’

Débora Dantas de Oliveira já passou por 20 procedimentos cirúrgicos para recompor os tecidos que revestiam a cabeça. Apesar do cenário, a estudante demonstra muita força para recomeçar

No Encontro, Fátima Bernardes conversou com a jovem de 19 anos que teve o couro cabeludo arrancado durante corrida de kart no Recife, em agosto deste ano. Desde o acidente, Débora Dantas de Oliveira já passou por 20 procedimentos cirúrgicos para recompor os tecidos que revestiam a cabeça, entre os quais um transplante de pele e músculo.

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Apesar do cenário, a estudante sempre se mostrou otimista e encarou a situação com muita coragem e bom humor. Ela, que deseja cursar Medicina para ajudar as pessoas, diz que a recuperação está sendo um estágio na área para ela.

“Fiquei muito calma, no momento, e isso foi crucial para que eu sobrevivesse. Fiquei acordada tentando respirar fundo e até ajudar os médicos. Como quero ser médica, tentei colaborar como um bom paciente, o tempo todo. Sempre dizia: ‘Quero ficar boa’.

Momentos de tensão

Na hora do acidente, Débora estava com o namorado, o microempresário Eduardo Tumajan. Foi ele quem prestou os primeiros socorros à jovem.

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“Foi muito difícil. Estava comemorando o Dia dos Pais, eu, minha mãe, minha filha e a Débora. Foi tudo muito rápido. Ela se levantou do carro, se deitou no chão e disse: ‘Procure socorro’. Nisso, minha mãe veio com minha filha e eu disse para não vir porque a Débora estava morta. Foi algo muito forte. Aí ela (Débora) disse: ‘Eduardo, pare com sua frescura. Procure socorro para mim’ (risos).”
“Corri de um lado para o outro. Não consegui. Um senhor que estava disputando a corrida com a gente disse para gente socorrê-la porque o socorro iria demorar. Tirei o cabelo que estava preso no motor , coloquei numa sacola e fomos para o Hospital da Restauração.
Ela foi o caminho todo me tranquilizando, dizendo para eu ter calma e não desmaiar: ‘Se você desmaiar, posso morrer aqui. Fique calmo’. Foram 20/30 minutos até o hospital e ela consciente. Ao chegar, coloquei ela na maca e desmaiei.”
Eduardo foi quem socorreu Débora após acidente: 'Tirei o cabelo que estava preso no motor , coloquei numa sacola e fomos para o Hospital da Restauração' — Foto: TV Globo

Eduardo foi quem socorreu Débora após acidente: ‘Tirei o cabelo que estava preso no motor , coloquei numa sacola e fomos para o Hospital da Restauração’ — Foto: TV Globo

Resiliência

“Tive que amadurecer muito rápido porque fiquei sozinha com 16 anos. Tive ajuda de muitos amigos, mas minha mãe, quer é minha avó, faleceu. Tive que improvisar, procurar emprego. Trabalhei como empregada doméstica, fiz panfletagem e sempre aprendendo, então criei essa maturidade. Acredito que tinha um tipo de resiliência.”
Após acidente, Débora encara a vida com otimismo  — Foto: TV Globo

Após acidente, Débora encara a vida com otimismo — Foto: TV Globo

Vida com leveza

“As pessoas me mandavam mensagem no hospital dizendo: ‘Dá força para ela’. Só que ela que estava me dando forças. Acompanhei o tratamento dela. Tiveram muitos dias de cirurgia e dias muito engraçados também, porque ela ficava fazendo as palhaçadas dela (risos)”, contou Eduardo.
“Meu coro cabeludo não vai mais crescer, então por que vou ficar sofrendo? Posso tirar algo bom disso. Isso vai me ajudar”, ressaltou Débora.

Vaidade zero

Débora tinha um cabelo longo antes do acidente na corrida de Kart  — Foto: TV Globo

Débora tinha um cabelo longo antes do acidente na corrida de Kart — Foto: TV Globo

Antes do acidente, Débora tinha um cabelo longo, até a cintura, mas a jovem garante que sua única preocupação é em ter saúde para realizar seu sonho de se tornar uma médica neurocirurgiã:

“Sempre pensei: ‘Será que minha saúde vai me impedir de realizar meu sonho?’. Senão, tudo bem… Se eu tivesse algum dano visual, seria terrível para um neurocirurgião não ter uma visão boa.”

Sonho de ser médica

“Sempre prezei pela minha educação. Para mim, é o mais importante. Já passei fome para pagar curso. Não importa que tenha que beber água e comer pipoca por um mês ou até dormir sem comer, porque isso vai me tirar dessa vida, vai me ajudar a ser uma pessoa diferente e, assim, vou poder ajudar as pessoas. Esse é o meu objetivo principal. Cuidei da minha mãe por um tempo no hospital e vi que as pessoas precisam de médicos humanos. Já queria ser médica e isso me fez querer mais ainda.”

Via
G1

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