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Juiz prorroga prisão dos suspeitos de envolvimento na invasão de celulares de autoridades

Alvos da Operação Spoofing foram presos na terça (23); prorrogação é de 5 dias. Em depoimento, um deles contou como chegou a arquivos e disse que não recebeu dinheiro nem editou material.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, decidiu nesta sexta-feira (26) prorrogar por mais cinco dias a prisão temporária dos quatro alvos da Operação Spoofing, que apura a tentativa de invasão de celulares de autoridades.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (23). Ao autorizar a prisão dos quatro suspeitos, Vallisney disse haver “fortes indícios” de que eles se uniram para violar o sigilo telefônico das autoridades.

Nesta sexta, ao determinar a prorrogação da prisão temporária, o juiz destacou o conteúdo dos depoimentos dos investigados, prestados nesta semana.

“Pelos respectivos interrogatórios, observa-se que os investigados deram diversas informações sobre os fatos em apuração, havendo ainda necessidade da continuidade das investigações para se almejar, conforme se conclui da representação policial e dos documentos juntados: o completo cenário e a profundidade das invasões praticadas”, escreveu Vallisney em um trecho da decisão.

Mais cedo, nesta sexta-feira, a TV Globo revelou o depoimento de Walter Delgatti Neto, suspeito de ser o hacker que invadiu os telefones das autoridades.

À Polícia Federal, Delgatti Neto:

contou que chegou aos arquivos do procurador Deltan Dallagnol;
disse que repassou arquivos ao jornalista Glenn Greenwald;
afirmou que a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) intermediou o contato com o jornalista – Manuela confirmou;
disse que não recebeu dinheiro pelo material;
afirmou que não editou o conteúdo.

Destruição de provas
Ao determinar a prorrogação da prisão dos investigados, Vallisney entendeu que, se fossem soltos agora, eles poderiam, em conjunto ou isoladamente, combinar e adotar medidas “visando apagar provas”.

Vallisney destacou ainda que os elementos indiciários são “firmes” e o fato investigado, “grave”.

“Sem a prorrogação de mais 05 dias das prisões, soltos, os investigados poderão agir e combinar e praticar condutas, isoladamente e em conjunto, visando apagar provas em outros endereços, mudar senhas de contas virtuais, fazer contato com outras pessoas eventualmente envolvidas, retirar valores de contas desconhecidas ou de algum modo prejudicar o inquérito policial”, escreveu o juiz.

OAB
Na tarde desta sexta, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil informou ter pedido a Vallisney autorização para ingressar como assistente no inquérito.

Segundo a OAB, a intenção é assegurar todas as medidas necessárias para garantir a proteção das informações obtidas na investigação e assegurar “amplo acesso dos advogados aos elementos e prova”.

A entidade também informou ter pedido para a Justiça determinar que a polícia, o ministro da Justiça, Sergio Moro, e os demais interessados nas investigações não tomem qualquer medida que possa levar ao comprometimento das provas.

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