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Justiça mantém prisão preventiva de dois acusados de hackear celulares de autoridades

Eliezer e Molição são suspeitos de atuarem ao lado do hacker Walter Delgatti Neto

BRASÍLIA — O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, manteve a prisão preventiva [por tempo indeterminado] de Thiago Eliezer e Luiz Henrique Molição , após audiência de custódia com ambos, nesta segunda-feira. Os dois são acusados de invadir, em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto , o Telegram de autoridades, entre elas o ministro da Justiça, Sergio Moro , e o chefe da Operação Lava-Jato, em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol .

Ricardo Leite disse que a decisão se baseou no fato de que a perícia nos aparelhos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal não terminou, e que outras medidas mais brandas à prisão preventiva não teriam a mesma eficácia, como a tornozeleira eletrônica, por exemplo.

Molição foi preso depois que a PF encontrou um áudio em que ele conversava com o jornalista Glenn Greenwald, do site “The Intercept Brasil”, sobre a divulgação de mensagens de autoridades, obtidas por meio do Telegram. A PF investiga, também, se Molição praticou crimes ao lado de Delgatti.

O advogado dele, Ademar Costa, pediu que, no lugar da prisão por tempo indeterminado, o juiz optasse pelo monitoramento eletrônico ou por prisão domiciliar, pois ele considera que o cliente não atrapalharia as investigações e “está disposto a depor a qualquer momento”.

— Ele está muito longe de ser um hacker ou um elemento principal em toda essa trama. Sugiro outras alternativas, como monitoramento eletrônico, proibir de acessar a internet ou ficar na casa dele. Me chamou muito a atenção o estado de ansiedade e, nesse contexto, penso eu, esticar essa prisão, sendo que já foi apreendido, a perícia não depende de ele estar preso ou não —, defendeu.

O juiz da 10ª Vara manteve a prisão, mas sugeriu que a defesa formalizasse o pedido de uma nova medida cautelar, que seria analisada com “mais calma”, pois durante a audiência Molição alegou quadro de ansiedade.

— Acho que está muito clara a participação dele, a invasão de dispositivos informáticos. Os atos foram graves, invasão do dispositivo de várias autoridades. A gente tem que esclarecer como seria a participação até para verificar se era secundária, de modo que não vejo outra alternativa, para verificar a extensão da participação dele. Está mantida a prisão preventiva — , afirmou Ricardo Leite.

A representante do Ministério Público, a procuradora Luciana Loureiro Oliveira, manifestou-se contra medida cautelar como alternativa à manutenção da prisão preventiva, mas sugeriu que Molição possa ser transferido para São Paulo, onde mora com a família.

— Não vejo a possibilidade de liberar por medida cautelar, em razão da necessidade de restrição, pelo menos que se conclua o procedimento de perícia — argumentou.

O advogado de Eliezer, Thiago Vitor dos Santos, também pediu a suspensão da prisão preventiva, porque, segundo ele, o acusado não conhecia os outros membros do crime e não antecendentes criminais.

— Tendo em vista que é réu primário, ele tem residência fixa, a gente acredita que alguma medida cautelar pode ser aplicada ao caso. Ficou claro que o Thiago não conhecia as outras pessoas — defendeu.

Conforme O GLOBO revelou, Eliezer é suspeito de ser o “mentor” da invasão, o que foi lembrado pelo juiz Ricardo Leite, como base para negar o pedido. O magistrado disse, também, que existem muitos relatórios da PF que afirmam que Eliezer teve “bastante contato com Walter”, o autor das invasões.

— Ele atuaria no desenvolvimento técnico e teria conhecimento e praticado crimes cibernéticos. Eu não consigo monitorá-lo 24 horas nesse sentido, até pela facilidade de acesso a internet através de Lan House ou celular. Não precisa conhecer as outras pessoas. A PF vem apontando a periculosidade dele. Não vejo outra alternativa que não mantê-lo segregado até maior detalhamento da estrutura dessa organização. Não vejo nenhuma possibilidade de medida cautelar diversa e a tornozeleira eletrônica não seria suficiente — argumentou o juiz.

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