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Ladrões que roubaram 719 kg de ouro em Guarulhos usaram dados falsos para comprar quatro carros

Polícia apura se quadrilha tem ligação com o crime organizado e se recebeu ajuda de funcionários do aeroporto

SÃO PAULO – Os ladrões que roubaram 719 quilos de ouro do terminal de cargas do Aeroporto de Cumbica , em Guarulhos, na Grande São Paulo , na tarde desta quinta-feira usaram dados falsos para comprar os quatro carros usados na ação, segundo a polícia. Para os investigadores, rastrear esses veículos pode ajudar a levá-los até a quadrilha. O governador João Doria apontou “imprudência” da empresa responsável pelo transporte da carga milionária.

Segundo o delegado João Carlos Miguel Hueb, da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), foram apreendidos dois caros adesivados que simulam viaturas da Polícia Federal (PF) e outras duas caminhonetes. Esses veículos possuem dados de compras falsos, porém não foram roubados. Ao menos dois foram comprados no interior do estado.
A polícia ainda não divulgou informações sobre as datas das compras. Informou, apenas, que parte dos carros veio do interior de São Paulo.

Entre a noite de quinta-feira e a manhã desta sexta-feira, os investigadores ouviram o depoimento de dez pessoas. A polícia trabalha com a hipótese de que a quadrilha é formada pro dez pessoas.

— É uma quadrilha bem organizada que conhece, inclusive, o funcionamento das investigações. Não foi, com certeza, o primeiro roubo deles — afirmou Hueb.

De acordo com a polícia, os bandidos limparam as digitais dos veículos usados na ação com extintores de incêndio para dificultar o trabalho dos investigadores. Até o momento, nenhum suspeito foi localizado.

Por enquanto, a polícia não descarta nenhuma linha de investigação. Os policiais apuram, por exemplo, se os bandidos têm ligação com uma facção criminosa que atua em São Paulo, se funcionários do terminal de cargas de Guarulhos os ajudaram e até mesmo se o crime estaria relacionado ao roubo ocorrido em no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, no ano passado.

Em 4 de março de 2018, uma quadrilha levou R$ 5 milhões de dólares em uma ação de apenas seis minutos em Campinas.

Recompensa de R$ 150 mil
Para auxiliar nas investigações, a empresa gestoras de riscos Lowers & Associate Internacional, um dos braços responsável pelo resseguro do ouro roubado, está oferecendo uma recompensa de R$ 150 mil reais para quem tiver informações sobre o paradeiro do metal ou dos bandidos.

— Todas as informações devem ser canalizadas na Polícia Civil. As informações precisam ser seguras e efetivas, que levem à apreensão do ouro roubado e à autoria do crime — disse José Gonçalves Neto, representante da empresa.

Durante o roubo desta quinta-feira, os bandidos levaram 31 malotes com 719 quilos de ouro, avaliados em R$ 123 milhões. A carga, de origem brasileira, chegou em Guarulhos na manhã anterior ao roubo, e seria enviada para aeroportos de Nova Yorque e Toronto. Ainda não há informações sobre quem seria o dono do ouro.

A ação dos bandidos começou na manhã da quarta-feira, quando um supervisor do setor de cargas do aeroporto de Guarulhos foi feito refém junto com a mulher pelo motorista de uma ambulância, na região da avenida Jacu Pêssego. A mulher seguiu para Araraquara, no interior do estado, dentro da ambulância, e o funcionário foi liberado para ir embora.

À tarde, segundo a polícia, os bandidos fizeram novo contato com o supervisor, que foi orientado a reencontrá-los. Ele, então, ficou em poder dos criminosos até o dia seguinte, dentro de casa, junto com outros oito membros da família. Só no dia seguinte à tarde, o funcionário entrou junto com os ladrões, disfarçados de policiais, no terminal de cargas de Guarulhos.

Após carregarem os carros falsos da polícia com o ouro, o funcionário foi liberado e os bandidos seguiram para a zona leste, onde abandonaram os dois veículos falsos da PF, e passaram o ouro para outras duas caminhonetes, também abandonadas na região em seguida.

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