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Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema

Entenda a evolução da mancha pelo litoral, os riscos do contato com a substância para pessoas e animais e o que dizem os órgãos de controle responsáveis.

As manchas de petróleo que têm aparecido em praias do Nordeste desde o início de setembro já atingiram 99 localidades em 46 municípios de 8 estados. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a mesma substância está poluindo a costa brasileira. Trata-se de petróleo cru, e não de um produto derivado do óleo.

Em nota, a Petrobras afirma que o material não é produzido pela companhia. “A análise realizada em amostras atestou, por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrado não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia”. Os testes foram feitos no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro. Ainda não se sabe a origem da substância.

Entenda em 9 pontos o que acontece nas praias do nordeste

  1. Quando foi feito o primeiro registro?
  2. Quantos estados têm praias atingidas?
  3. Quem está atuando nesta investigação?
  4. O que dizem os órgãos?
  5. Quais os riscos para as pessoas?
  6. Existe alguma recomendação sobre o consumo nesta região?
  7. Quais os riscos para os animais?
  8. Alguma reserva biológica está sendo atingida?
  9. Já houve registros semelhantes antes no Brasil?

1. Quando foi feito o primeiro registro?

Segundo o Ibama, os primeiros registros de óleo nas praias do Nordeste ocorreram no dia 2 de setembro nas cidades de Ipojuca e Olinda, no estado de Pernambuco. No dia seguinte, 3 de setembro, as manchas foram registradas em outras cidades do estado (Tamandaré, Recife, Jaboatão dos Guararapes) e também na cidade de Conde, na Paraíba.

O último estado afetado foi o Maranhão, com registros em quatro municípios feitos nesta quarta-feira (25), segundo o relatório oficial do Ibama, atualizado pela última vez às 17h da quarta.

2. Quantos estados têm praias atingidas?

As manchas já atingiram 99 localidades em 46 municípios de 8 estados, de acordo com o Ibama. No Nordeste, apenas o estado da Bahia não foi afetado ainda.

3. Quem está atuando nesta investigação?

Além do Ibama, que é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (DF), a Marinha e a Petrobras também estão investigando a evolução das manchas de óleo.

4. O que dizem os órgãos?

Uma investigação do Ibama com apoio dos Bombeiros do DF aponta que o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo, mas sua origem ainda não foi identificada.

O Ibama afirma ainda que solicitou, em conjunto com a Capitania dos Portos, uma análise das amostras de óleo coletadas pelos técnicos para a Marinha e a Petrobras. O resultado desta análise mostra que a substância encontrada nos litorais é petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo.

O Ibama requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias. Nos próximos dias, a empresa irá disponibilizar um contingente de cerca de 100 pessoas, segundo o instituto.

Manchas de óleo apareceram em praias do Rio Grande do Norte e também outros estados nordestinos — Foto: Reprodução

Manchas de óleo apareceram em praias do Rio Grande do Norte e também outros estados nordestinos — Foto: Reprodução

5. Quais os riscos para as pessoas?

O petróleo bruto é uma complexa mistura de hidrocarbonetos, que apresenta contaminações variadas de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. Por isso, é importante que a população evite contato direto com a substância encontrada nas praias.

O Ibama orienta que banhistas e pescadores não toquem ou pisem no material. “Caso seja identificado o produto no mar ou nas praias, o cidadão deve informar o local exato à prefeitura. O óleo recolhido deve ser destinado adequadamente, não sendo recomendado misturá-lo com o resíduo comum”, explica o instituto.

O Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) do Rio Grande do Norte emitiu comunicado alertando para os riscos de contaminação trazidos pela substância. O órgão esclarece que o material é classificado como Classe D pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), categoria que inclui também resíduos perigosos como tintas, solventes e outros óleos.

Cidades do litoral cearense serão alertadas sobre mancha que atinge praias do Nordeste — Foto: Arquivo pessoal

Cidades do litoral cearense serão alertadas sobre mancha que atinge praias do Nordeste — Foto: Arquivo pessoal

“É importante que a coleta seja feita utilizando ferramentas como rastelos e pás, acondicionando provisoriamente o material em recipientes plásticos, enquanto o produto não for retirado do local e procurando proteger-se do contato direto com o resíduo, não podendo ser retirado por tratores”, alerta o Idema.

O instituto pede ainda que seja evitado o contato direto com esse produto e, caso ocorra, orienta que a pessoa tente “retirar primeiro com gelo ou com óleos de cozinha, devendo logo após lavar a pele com água e sabonete neutro” . Como medida preventiva contra irritações e processos alérgicos, o Idema pede que pessoas que tiveram contato com as manchas nunca levem mãos sujas aos olhos e boca.

6. Existe alguma recomendação sobre o consumo nesta região?

Até o momento, não há evidências de contaminação de peixes e crustáceos, segundo o Ibama. No entanto, a avaliação da qualidade do pescado capturado nas áreas afetadas para fins de consumo humano é competência do órgão de vigilância sanitária.

Procurada pela reportagem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse, em nota, que “esse demanda cabe ao Ministério do Meio Ambiente”. O G1 entrou em contato com as secretarias de vigilância sanitária de cada um dos 8 estados afetados, mas somente Alagoas enviou uma resposta. O órgão informou que, “no caso da saúde pública, quem atua são as vigilâncias sanitárias municipais” e que, até o momento, a secretária estadual não recebeu nenhuma orientação da Anvisa sobre as manchas.

Manchas de óleo surgiram no Litoral de Alagoas — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Manchas de óleo surgiram no Litoral de Alagoas — Foto: Reprodução/TV Gazeta

7. Quais os riscos para os animais?

Os animais marinhos podem ser afetados tanto pela ingestão da substância, que é tóxica, tanto pelo contato com líquido que gruda e compromete a locomoção de tartarugas e aves. As aves e os mamíferos ainda podem morrer de frio porque a pele deles é recoberta por uma camada especial de gordura e o petróleo permite que a água penetre.

O óleo já atingiu ao menos nove tartarugas e uma ave bobo-pequeno ou furabucho (Puffinus puffinus), conhecida pela longa migração. Segundo o Ibama, uma das tartarugas foi devolvida ao mar e outra foi encaminhada a um centro de reabilitação. Sete tartarugas foram encontradas mortas ou morreram após o resgate. A ave também não resistiu ao óleo.

Caso seja encontrado algum animal com óleo, a orientação é que sejam acionados imediatamente os órgãos ambientais para adotar as providências necessárias. “O animal não deve ser lavado nem devolvido ao mar antes da avaliação de veterinário”, diz o Ibama.

8. Alguma reserva biológica está sendo atingida?

Ainda não há registros oficiais de avistamento de óleo em unidades de conservação, mas se a mancha continuar avançando há risco de atingir áreas de proteção próximas, inclusive praias com desova de tartarugas marinhas.

A área de especial proteção ambiental e “paisagem natural notável” na divisa entre os municípios de Aracaju e Barra dos Coqueiros, no estado de Sergipe, é uma das que pode ser afetada se a mancha de óleo avançar.

Outra unidade de conservação ameaçada é a Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu (SE), onde o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolve um projeto de preservação de tartarugas-marinhas.

9. Já houve registros semelhantes antes no Brasil?

Em abril, manchas de óleo surgiram na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, atingindo as praias de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios. O acesso as praias chegou a ser interditado para a retirada do material. Após analise, foi comprovado que as placas de óleo eram resíduos de operações da Petrobras. No atual caso, a Petrobras afirma que não tem ligação com o problema.

(*Sob supervisão de Ardilhes Moreira)

Via
G1
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