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Marcelo Odebrecht entregou ao MPF mais de 180 e-mails usados para prisão de cunhado

Empresário nunca escondeu a insatisfação com o fato de Marcelo Ferro não ter feito delação premiada com outros executivos da empresa

SÃO PAULO – Entre abril e setembro de 2018, Marcelo Odebrecht vasculhou mais de 480 mil e-mails e outros 300 mil documentos em busca de novas evidências para corroborar seu acordo de colaboração premiada. Marcelo tinha um alvo: seu cunhado, Maurício Ferro, preso nesta quarta-feira em mais uma fase da Operação Lava-Jato, deflagrada nesta quarta-feira. Em diferentes ações penais da Lava-Jato, Marcelo entregou ao Ministério Público Federal (MPF) cerca de 180 mensagens que recebeu de Maurício.

Através do conteúdo que entregou, o ex-presidente da Odebrecht tenta deixar clara a participação de seu cunhado e de outros executivos da Odebrecht na negociação de vantagens indevidas para Antonio Palocci e Guido Mantega em troca da aprovação de duas medidas provisórias favoráveis ao grupo Odebrecht.
As MPs fazem referência ao programa de parcelameguido nto de débito da Odebrecht, o chamado “Refis da Crise”.

Ferro foi um dos poucos executivos da companhia que não participou do acordo de delação premiada com o MPF, o que levou ele e Marcelo a se desentenderem. O empresário considerava que considerava que Maurício também tinha participado das irregularidades.
Pouco caso
A disputa levou a algumas situações curiosas. Em resposta à denúncia apresentada pelo MPF sobre o pagamento de propinas a Palocci e Mantega, mesmo objeto da operação deflagranda nesta quarta-feira, a defesa de Maurício Ferro fez pouco caso das declarações de Marcelo.

Ao argumentar que não existia motivo para que o genro de Emílio Odebrecht fosse denunciado, os advogados afirmaram que toda a denúncia contra ele “está baseada apenas e tão-somente na palavra do delator premiado Marcelo Odebrecht”.

“É exatamente o caso dos presentes autos, em que a denúncia tem como lastro probatório apenas os depoimentos do corréu e colaborador Marcelo Bahia Odebrecht”, escreveu a defesa.
O principal motivo de questionamento é uma movimentação feita por Marcelo em abril de 2018, quando ele decidiu prestar uma nova declaração para complementar o depoimento prestado em maio de 2017 em sua delação premiada.

“Assim, os citados e-mails contextualizam, detalham e corroboram as tratativas de (Marcelo Odebrecht) e de executivos da Odebrecht e da Braskem sobre o que acabou sendo conhecido como ‘Refis da Crise’, evidenciando como este tema foi intensa, extensa e legitimamente discutido e acompanhado por diversas empresas”, afrimou a defesa de Marcelo Odebrecht ao apresentar os e-mails.

Na nota de rodapé do documento, a defesa deixa claro qual empresa seria a principal beneficiada: a Braskem, da qual Maurício Ferro era o diretor jurídico.

“Os e-mails juntados demonstram com clareza todo este cenário e sua evolução, inclusive com os valores dos prejuízos e benefícios potenciais para algumas empresas, em especial para a Braskem, bem como os pontos de maior interesse e as demandas da Braskem em cada MP”, afirma Marcelo Odebrecht.

As trocas de mensagens citam um encontro de Maurício com Palocci e outras informações sobre o tema. Em um deles, o diretor-jurídico da Braskem lembra que o compromisso do governo com a medida provisória e a contrapartida com Mantega já tinham sido tratados.

A defesa de Maurício respondeu à utilização das mensagens alegando que precisaria ter acesso à totalidade dos e-mails e indicou que a apresentação de alguns dos e-mails não eram justos.

“A apresentação de mensagens isoladas em razão de juízes de valor subjetivos, seja (de Marcelo Odebrecht), seja do Ministério Público Federal, impõe que a Defesa tenha condições efetivas de verificar a integralidade do material para justamente verificar os moldes em que os referidos diálgoos eletrônicos se deram”, argumentaram os advogados.

Veja também: Juiz da Lava-Jato determina que Guido Mantega coloque tornozeleira eletrônica

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