Entretenimento

‘Me deu a sensação de que ela usou playback’, diz Roberta Medina, sobre show de Anitta

Diretora executiva do Rock in Rio defende funkeira, anuncia Espaço Favela maior em 2021 e afirma sonhar com Bruno Mars

Diretora executiva do Rock in Rio , Roberta Medina saiu em defesa de todos que foram alvos de críticas ou de alguma polêmica ao longo do evento, que termina neste domingo. Em entrevista ao Globo, a empresária defendeu Drake (principal estrela do primeiro dia), as manifestações políticas “ são uma plataforma do Rock in Rio”, e Anitta. Ela, no entanto, acredita a funkeira fez playback e aconselha a cantora a ter um vocal de apoio no palco.

O festival foi nota dez. Fizemos uma pesquisa com o público e deram a nota 9.5. Normalmente nos dão 8.9. Então acho que a marca desse festival foi de pessoas felizes. Ainda mais nesse momento que o país está vivendo, tão rachado, tão polarizado. Tão extremista em termo de posicionamento, acho que deu um respiro.

O festival teve manifestações políticas dentro e fora dos palcos. Por exemplo, uma foto do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi exibida num telão de show como forma de crítica à sua política de segurança. Como a marca vê isso?

Os palcos são espaços de livre expressão. O Rock in Rio nasceu como uma plataforma de liberdade de expressão, na saída da ditadura. Não vai ser agora que a gente vai mudar de ideia né? O que a gente sugere é que as pessoas levantem suas causas, mas nós do Rock in Rio não nos posicionamos politicamente. A gente defende a mudança de comportamento para evitar catástrofes climáticas. A Amazônia, por exemplo, é um foco. A gente defende a diversidade pela existência do comportamento. Mas o que os artistas fazem, eles tem 100% de liberdade para fazer. Cada um que se entenda. O que acho positivo foi a reação da plateia. Será que em algum Rock in Rio não xingaram um presidente da época? Até o Medina já foi xingado. Essas mesmas pessoas pedem depois para tirar foto com ele. Isso é comportamento de público. É óbvio que alguém quer mandar o cara tomar no **, mas ainda entra o efeito da multidão.

Como foi essa experiência com funk no Rock in Rio? Finalmente a Anitta tocou no festival.

Olha, o funk já tinha estado aqui de forma mais sutil. O Bochecha já tinha estado aqui. Eu acho que, antes de falar de Anitta, temos que falar da Funk Orquestra. Foi muito emblemático. Foi o show do Sunset que lotou mais cedo. As pessoas cantaram todas as músicas. Todo tipo de público interagindo. Eu, Roberta, não gosto de ouvir baixaria na minha casa com os meus filhos, não gosto de ver criança dançando na boquinha da garrafa. Mas quem quiser ouvir que ouça. Isso vale para qualquer ritmo. Sou super fã de funk tradicional. O Rock in Rio continua de portas abertas ao funk.

A Anitta foi muito criticada porque teria usado playback no show. O que você achou?

Me deu a sensação de que ela usou playback, mas eu não fui lá ver, não entendo. Mas acho que o mais importante é que a gente tem que acolher muito o talento da Anitta. Ela é uma cantora de 26 anos. O show foi brutal. Ela fez um produção de nível internacional. Eu li que ela deu uma festa para o Drake na casa dela e não estava porque ia se preparar para o show. Isso é um sinal de maturidade incrível. Acho que a gente tem que reverenciar o talento dela. Ela fez um trabalho de parcerias internacionais brutal, tocou vários hits. Todo mundo canta da primeira a última música. Ela fez uma preparação de corpo impressionante. Fez um showzaço. Mas acho que vale ela investir mais em ter um suporte no palco. Todo mundo trabalha com playback, em geral os artistas que dançam muito precisam de um suporte porque, se é para ser live, é para ser livre. Não dá para pular tanto e fazer a voz perfeita, né?

A Anitta chegou a criticar o festival porque não conseguiu fazer passagem de som.

É verdade. Tivemos uma problema técnico na véspera. O Black Eyed Peas atrasou por causa do trânsito e, quando chegou para fazer a passagem de som, os portões para o público já estavam abertos. A Anitta, então, não quis fazer a passagem de som ali, eu entendo.

O Drake não quis que seu show fosse transmitido. Como vocês viram isso? A transmissão não estava em contrato?

Estava combinado que seria transmitido. O que aconteceu é que ele ficou por algum motivo desconfortável e pediu para cancelar a transmissão. E aí chega o momento que tem um ser humano que precisa subir ao palco e encarar essa galera. A gente já teve uma situação semelhante em Las Vegas com a Taylor Swift, e ali foi outra coisa. Era o primeiro show da turnê e ela não estava com tudo muito ensaiado, então ela não queria se expor internacionalmente, de uma coisa que ela julgava que não sairia perfeito. Já aqui com o Drake foi desconforto dele próprio. Aí a gente insiste, insiste, insiste, mas tem limite a compra da briga. E aí nesse caso o Rock in Rio cede. A gente vai acolher o talento que vai subir no nosso palco.

O show da Pink foi um dos grandes momentos do festival. Foi difícil fazer ela voar pela Cidade do Rock no fim do show?

Um ano de trabalho. A equipe ralou muito. Admiro ainda mais a persistência da equipe. Muitos artistas abrem mão de suas ideias, mas a equipe bateu pé e assim foi. A equipe estava muito tensa, mas deu tudo certo.

E o Espaço Favela? Ele foi criticado inicialmente, mas acabou conquistando o público…

Foi um sucessão. Quem criticou porque a gente chamou de Espaço Favela é porque não é da favela. O fato de que aqui a favela está romantizada não quer dizer que não tem problema na favela. A gente pode falar bem do que tem de bom na favela. Uma coisa não exclui a outra. 99,9% das pessoas que vivem nas favelas são pessoas do bem. O Rio de Janeiro é favela. As pessoas que abastecem essa cidade moram na favela e são pessoas do bem. Eu fico feliz porque eles estão felizes.

 

E o Rock in Rio em Santiago, anunciado neste fim de semana? O que esperar?

O primeiro passo foi dado com o governo. Foram ágeis. Mas ainda precisa ser feita muita coisa. Para a próxima edição, o Espaço Favela vai ganhar uma dimensão maior.

Do que você mais gostou nesta edição?

Não consegui ver muita coisa. Mas gostei de Pink, Anitta, Foo Fighters. Panic! at the Disco foi uma surpresa.

Quem você gostaria de trazer para a próxima edição do festival?

Bruno Mars.

Via
O GLOBO
Etiquetas

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios