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Menina de 9 anos, que trocava máscara por alimentos, recebe ajuda de corrente solidária após foto viralizar

Ana Júlia ajudava a mãe em sinal no Recreio dos Bandeirantes para levar comida para casa.

RIO — Por volta das 9h desta terça-feira, o empresário Rúbio Carlos Toledo de Santana, de 33 anos, parou em sinal vermelho da Avenida Alfredo Balthazar da Silveira, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Entre dezenas de carros e vendedores de balas, que corriam entre um veículo e outro, surgiu uma menina, com uma proteção no rosto e segurando um papelão com a frase: “Troco uma máscara por um alimento”. A cena chamou a atenção de Rúbio, que decidiu ajudar a pequena e também publicou a imagem dela em suas redes sociais. A postagem viralizou e milhares de pessoas se comoveram com a história da pequena Ana Júlia Costa Sabino, de apenas 9 anos. Uma corrente de solidariedade se formou para encontrá-la e ajudá-la.

— Naquele momento que ela passou, segurando a placa, me deu um nó na garganta. Doeu no coração porque tenho uma criança de seis meses. Foi uma mistura de sentimentos — relata Rúbio. — Resolvi fazer a foto, não para expô-la, mas para mostrar que ela é um símbolo da realidade do que muitas pessoas estão passando, e muita gente não está vendo esse problema — completa o empresário que diz ter se surpreendido com a proporção da repercussão da publicação.

No entanto, antes de ser vista pelas redes sociais, Ana Júlia, a mãe, Silvana Cristina Costa, e os outros três irmãos estiveram no local por outras duas vezes. Devido à pandemia do novo coronavírus, Silvana, de 30 anos, perdeu o emprego de empregada doméstica e não sabia mais o que fazer para conseguir sustentar os quatro filhos.

— Como eu tinha alguns doces, que vendia na praia, decidi tentar vendê-lo aqui. Também pedi a uma vizinha que fizesse umas máscaras para vender. Era o que me restava. Recebi os R$ 600 de ajuda do governo mas não foi suficiente — lembra Silvana.

No sábado, sem ter com quem deixar os filhos, a empregada doméstica percorreu mais de 30 quilômetros com as crianças — com idades de 14, 11, 9 e 6 anos — até o Recreio dos Bandeirantes para vender alguns os produtos, incluindo as máscaras por R$ 5 cada.

— Eu vim no sábado, no domingo e na segunda-feira para vender os doces. A gente, geralmente, sai de casa pouco depois das 7h e volta às 13h. Viemos porque estava faltando alimentos para eles — diz Silvana.

E na manhã de terça-feira não foi diferente.

— Eu não imaginava que iria acontecer tudo isso — explica a empregada doméstica, que afirma ter ficado com medo de ser criticada pelas pessoas que passavam pelo local no primeiro dia.

— Eu fiquei com receio do que as pessoas pensariam. Eu não queria que meus filhos estivessem aqui comigo. Eu sempre trabalhei para levar o alimento para dentro de casa e nunca levei eles. Nunca passou pela minha cabeça que eles iriam precisar vir comigo para vender (no sinal) — conta.

A pequena Ana Júlia, estudante do quarto ano no CIEP Maestro Heitor Vila Lobos, em Santa Cruz, por ora está sem aulas. Por vez ou outra recebe lições para fazer em casa. Sem o que fazer e vendo a situação da mãe, pediu para ir e ajudar na venda dos produtos.

— A minha mãe é muito trabalhadora. Ela faz faxina, trabalha na praia, e, vendo nessa situação, pedi para vir — conta a menina que é fã do cantor de funk Nego do Borel e sonha em encontrá-lo um dia.

Na manhã desta quarta-feira, dezenas de pessoas foram ao local onde Ana Júlia, a mãe e os irmãos ficam e doaram alimentos, água e material para higiene.

— Foi um anjo que passou e fez essa foto. Só tenho que agradecer a ele. As pessoas não param de me ligar dizendo que querem ajudar. Mas eu digo que não quero aproveitar da boa vontade delas. Eu só preciso de alimentos para os meus filhos e está tudo bem. Quero só trabalhar dignamente e não deixar faltar nada para eles — conta Silvana chorando. — Já comecei a receber muitas bençãos e por isso vou conseguir ajudar outras pessoas também, não tenha dúvida. Já vou abençoar todos os meus amigos que fiz aqui (na rua). Eles já são como se fossem da minha família. Quando cheguei aqui, eles me abraçaram, ajudaram, me deram apoio. Eles me deram força e disseram: você consegue, vai lá — afirma Silvana.

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