Política

Ministro responsabiliza governos passados por problemas na política ambiental

Em audiência pública na Câmara, Ricardo Salles admite que desmatamento na Amazônia tem relação com o aumento da pressão por atividades ilegais

Convocado pela Câmara para explicar as queimadas na Floresta Amazônica , que ganharam contornos de dramaticidade internacional, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, responsabilizou os governos passados pela falta de recursos para o combate aos incêndios e pela redução do orçamento de áreas destinadas à preservação ambiental. Segundo ele, a queda e a fragilização do quadro de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) vêm de gestões passadas.

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(A fragilização da estrutura) Tem dificuldade de ser revertida. Os cortes são para necessária adequação aos princípios mínimos de lidar com a coisa pública — afirmou o ministro, para em seguida complementar que o presidente Jair Bolsonaro recebeu um governo fragilizado economicamente.

Salles ainda acrescentou:

Os cortes não eram uma opção do ministério, mas uma imposição dos fatos. Precisamos focar nas questões de custeios, nas despesas administrativas, tentar poupar ao máximo despesas de atividade fim. Isso é reflexo da má gestão, da corrupção e da ineficiência herdados por este governo.

Em suas considerações iniciais, o ministro admitiu que o desmatamento na Floresta Amazônica tem relação com o aumento da pressão por atividades ilegais.

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A conformação do aumento do desmatamento tem total correlação com o aumento da pressão por atividades ilegais, não só do aumento de área de pecuária e agricultura, mas também com atividades da extração e comércio ilegal de madeira e também de garimpos ilegais. Garimpos ilegais esses que existem na região, garimpos que têm histórico de atuação reiterado para mais de dez anos. O que se vê um aumento da pressão dessas atividades ilegais, que resulta no aumento do desmatamento — argumentou.

Dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que usa imagens de satélite para monitorar os focos de calor no país, mostram que houve um aumento de 83% no número de incêndios florestais no Brasil entre 1º de janeiro e 19 de agosto de 2019 e o mesmo período do ano passado.

Neste ano, o Inpe já detectou 72.843 queimadas no país. No ano passado, foram 39.759. O Amazonas está em terceiro lugar no ranking neste ano, com 7.003 focos de incêndio neste ano, 5.305 apenas neste mês, até o dia 19. Entre 2018 e 2019, o Estado registrou um aumento de 146% no número de incêndios florestais.

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Salles voltou a defender a monetização da Amazônia. Segundo ele, é necessária a estruturação de atividades econômicas relacionadas à bioeconomia, com a retirada dos entraves jurídicos e burocráticos regulatórios, garantindo “uma fonte de renda e emprego e alternativa para que as famílias tenham uma melhoria de qualidade de vida substancial”.

Para o ministro, o cenário atual é incompatível “com a narrativa de que a Amazônia é a região mais rica do Brasil em termos de recursos naturais, com o pior Índice de Desenvolvimento Humano” .

Via
O GLOBO
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