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Morte de professor envenenado em Brasília é reconstituída pela polícia

Área da escola pública, na Asa Norte, foi isolada na manhã deste sábado (15) e 12 testemunhas chamadas. Polícia encontrou veneno de rato no corpo de Odailton Charles Albuquerque Silva.

A área onde fica o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410, na Asa Norte, em Brasília, foi interditada na manhã deste sábado (15). A Polícia Civil do Distrito Federal chamou doze testemunhas para reconstituir a morte do professor Odailton Charles Albuquerque Silva.

O trabalho foi feito após um pedido do delegado responsável pela investigação Laércio Rossetto. Segundo o delegado, todas as pessoas que estavam na escola no dia 30 de janeiro foram chamadas: professores, funcionários e militares que ajudaram no socorro(veja cronologia do caso mais abaixo).

“O objetivo é trazer mais elementos para o inquérito e apurar todas as circunstâncias que envolvem a morte.”
O ex-diretor do CEF 410 morreu no último dia 4 de fevereiro. A polícia encontrou veneno de rato no corpo do educador que ficou internado durante cinco dias em um hospital.

No dia 30 de janeiro, Odailton Charles Albuquerque Silva foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional da Asa Norte, após passar mal na escola. Segundo denúncia gravada em áudio pelo próprio Odailton – e enviada para amigos –, ele passou mal depois de beber um suco de uva oferecido por uma colega.

O que se sabe e o que falta saber sobre a morte do professor

O que se sabe:

  1. O caso é investigado como homicídio;
  2. O laudo da perícia confirma que o professor foi envenenado com um raticida conhecido como chumbinho;
  3. A substância aldicarb foi encontrada no sangue e no vômito da vítima;
  4. A substância aldicarb causou a morte do professor e foi ingerida dentro da escola;
  5. Os peritos do Instituto de Criminalística também encontraram traços de relaxante muscular nos materiais biológicos do professor. No entanto, não foram localizados traços do suco de uva;
  6. A direção da escola nega que algum colega tenha oferecido suco ao professor envenenado.

O que falta saber

  1. Odailton teve contato direto com chumbinho?
  2. Há resquícios de veneno nas mãos do professor?
  3. O suco de uva foi oferecido por alguém?
  4. Onde está a garrafa mencionada por Odailton em áudio?
  5. Por que nas roupas e no vômito do professor não há resquícios de suco de uva?
  6. Quais os remédios ingeridos pelo professor?
  7. Existe suspeita de irregularidades na prestação de contas da escola?
Professor Odailton Charles de Albuquerque Silva — Foto: Reprodução

Professor Odailton Charles de Albuquerque Silva — Foto: Reprodução

Cronologia do caso

  • 30 de janeiro
    Odailton Charles Albuquerque Silva foi ao CEF 410 Norte. Ao chegar na escola – entre 12h e 12h30 – segundo ele, encontrou uma funcionária. De acordo com áudio enviado a uma amiga, ele teria bebido um suco de uva oferecido pela colega. Em seguida, conforme a gravação, o ex-diretor começou a passar mal e foi levado ao Hran. Médicos analisam o quadro de saúde como grave e a mulher dele registrou ocorrência na 2ª DP, como tentativa de homicídio.
  • 31 de janeiro
    A esposa de Odailton voltou à delegacia para prestar depoimento e entregou uma bolsa térmica com gelo e as roupas usadas pelo marido no dia anterior. A mulher também mostrou os áudios enviados por Odailton a colegas.
  • 1º e 2 de fevereiro
    Odailton Charles continuou internado em estado grave no Hran. Policiais da 2ª DP colheram depoimentos de testemunhas e pediram que peritos do IML coletassem material biológico do professor para fazer exames toxicológicos.
  • 3 de fevereiro
    As amostras de sangue de Odailton Charles foram entregues pelo hospital ao Instituto Médico Legal (IML). Peritos começaram a examinar as roupas do educador e o material coletado.
  • 4 de fevereiro
    Por volta das 16h, Odailton Charles Albuquerque Silva morreu no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O corpo foi encaminhado para necropsia.
  • 5 de fevereiro
    Peritos do IC foram ao CEF 410 Norte com o delegado responsável pelo caso. Os investigadores fizeram um croqui do local para tentar entender o que aconteceu no dia 30 de janeiro. Segundo a polícia, as câmeras de segurança da escola não estavam funcionando.
  • 6 de fevereiro
    Um áudio gravado por professor, no momento em que passava mal, foi divulgado. O corpo de Odailton foi enterrado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul de Brasília. No mesmo dia, um laudo da polícia apontou a presença de veneno de rato no corpo do professor. Segundo a perícia, a substância encontrada no vômito era chumbinho.
  • 7 de fevereiro
    Em novo áudio divulgado, o professor envenenado dizia que faria uma denúncia contra a Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto, por suspeita de desvio de recursos. No mesmo dia, a direção do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 se manifestou pela primeira vez sobre a morte de Odailton. O colégio negou que algum servidor tenha oferecido qualquer líquido ao colega.
  • 8 de fevereiro
    A Polícia Civil aguardava o resultado dos exames que deverão indicar se o professor Odailton Charles Albuquerque Silva teve contato direto com o veneno de rato.
  • 9 de fevereiro
    A Secretaria de Educação informou que a prestação de contas do CEF 410 Norte “está em dia”. Segundo a pasta, a escola apresentou os documentos de 2009 a 2018 e os mesmos foram aprovados. Ao G1, a secretaria informou que as contas de 2019 ainda não foram apresentadas, mas “estão dentro do prazo, que corre até o final de fevereiro”.
  • 10 de fevereiro
    Uma semana após a morte do professor, o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410, da Asa Norte, retomou as aulas com apoio psicológico para alunos e funcionários.
  • 15 de fevereiro
    Reconstituição da morte do professor na escola, com a presença de 12 testemunhas que estiveram no local no dia 30 de janeiro quando Odailton teria ingerido o veneno.

 

Via
G1
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