Justiça

O que falta ser descoberto sobre os ataques ao Telegram de Moro e outras autoridades

Há dúvidas sobre a existência de 'patrocinadores', a possibilidade de que mais pessoas estejam sob a mira da PF e o papel de cada um dos suspeitos nos ataques

RIO – A Operação Spoofing prendeu na terça-feira quatro suspeitos de envolvimento na invasão ao Telegram do ministro Sergio Moro (Justiça) e de outras autoridades. Os presos são Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira, Danilo Cristiano Marques e Walter Delgatti Neto. Além do perfil dos integrantes do grupo, sabe-se que um deles assumiu a autoria dos ataques cibernéticos e que houve movimentações suspeitas nas contas de dois integrantes do grupo.

Além das perguntas já respondidas pela Polícia Federal nos últimos dois dias, restam questões ainda não solucionadas que indicam o que ainda falta ser descoberto ou divulgado, uma vez que o procedimento corre sob sigilo estabelecido judicialmente.

Houve mandantes ou ‘patrocinadores’ das invasões?
Ainda não há informações concretas sobre isso. Além dos R$ 100 mil apreendidos pela PF na Operação Spoofing, o que se sabe sobre as finanças dos suspeitos, até agora, é que Gustavo Henrique movimentou R$ 424 mil que que entre abril e junho do ano passado e Suelen, por sua vez, movimentou R$ 203 mil entre março e maio deste ano. Para os delegados da PF, há incompatibilidade entre a movimentação financeira e as rendas declaradas dos dois.

Na decisão do juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, além de autorizar as prisões temporárias, o magistrado afirma que a incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal dos suspeitos torna necessário rastrear os recursos recebidos e movimentados por eles. A intenção, segundo o juiz, é “averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais dos dispositivos informáticos”.

Neste sentido, Vallisney de Oliveira autorizou a quebra dos sigilos bancários e telemáticos dos investigados, além do bloqueio de ativos financeiros acima de R$ 1 mil.

Quem são os outros seis investigados?
Além dos quatro suspeitos presos, há outras seis pessoas possivelmente envolvidas no caso. A PF apresentou ao juiz Vallisney de Oliveira um relatório de diligência no qual listou os e-mails destas seis pessoas, que estavam vinculados às contas dos usuários do sistema BRVOZ das quais partiram os ataques.

Com base nesse documento, a PF solicitou o afastamento do sigilo telemático desses e-mails, para acessar seu conteúdo e apurar se os outros alvos também estão envolvidos no caso. O magistrado autorizou a medida e determinou a quebra do sigilo telemático desses e-mails.

O único dos seis nomes conhecido até agora é o de Anderson José da Silva, dono de uma das contas da qual partiram os ataques. Apesar de ser o dono da conta, porém, até agora a PF não identificou ter sido Anderson autor de tentativas de invasão — apenas que sua conta teria sido usada por terceiros para esta finalidade.

Qual foi o papel de cada um dos suspeitos nos ataques cibernéticos?
Embora Walter Delgatti Neto tenha confessado que invadiu a conta de Moro no Telegram, ainda não há informações sobre como teriam atuado os outro quatro suspeitos. Gustavo Henrique Elias dos Santos diz que é inocente, assim como Suelen Priscila de Oliveira. O advogado dos dois afirma que Gustavo atua como promotor de eventos e não tem conhecimento de internet e de computação. Não há informações sobre as suspeitas da PF sobre Danilo Cristiano Marques.

Além de Moro e outras autoridades, quantas e quais pessoas teriam sido hackeadas?
Em coletiva na tarde de ontem em Brasília, os delegados informaram que encontraram indícios de que supostos hackers também clonaram o telefone do ministro da Economia, Paulo Guedes. A PF diz que um dos suspeitos presos tinha uma conta com o nome do ministro, no aplicativo de mensagens Telegram.

Segundo a PF, é possível que quase outras mil integrantes dos três Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) tenham sido alvo dos suspeitos nos últimos meses. Entre eles, estaria também a deputada federal Joice Halssemann (PSL-SP), que disse ter sido alvo de um ataque no último fim de semana.

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