Economia

Paraguai quer anular acordo assinado com o Brasil sobre a usina de Itaipu

BRASÍLIA — O governo do Paraguai quer anular um acordo assinado com o Brasil sobre a contratação da energia gerada pela usina de Itaipu, hidrelétrica administrada pelos dois países. O documento questionado pelos vizinhos foi assinado em maio e alterava um acordo que fazia o Brasil pagar mais pela eletricidade gerada pela usina.

O acordo gerou uma crise no Paraguai e provocou baixas no governo local. Quatro membros do alto escalão do governo paraguaio renunciaram, nesta segunda-feira, aos cargos, incluindo o embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, e o ministro de Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni. O acordo foi a principal causa da queda dos integrantes do governo paraguaio.

A avaliação de fontes do governo brasileiro é que foi gerado um embate político no Paraguai cujo desfecho ainda é desconhecido. O governo do Brasil, porém, quer manter o acordo. Segundo um diplomata, somente quando as autoridades paraguaias se manifestarem claramente sobre o que pretendem fazer em relação ao tema é que o Brasil vai se pronunciar.

– O fato é que os paraguaios vinham maquiando sua demanda por energia. Interessa ao Brasil a manutenção desse acordo — disse essa fonte.

Essa questão, que era tratada na área técnica, passou a ser tratada sob o âmbito político. Técnicos envolvidos com o tema revelaram que há contatos em nível ministerial entre os dois países.

O assunto vinha sendo tratado como prioridade na área de energia do governo desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro. Técnicos brasileiros conseguiram rever o texto que fazia com que o Paraguai pague menos que o Brasil pela energia gerada pela usina de Itaipu. O tema é polêmico no Paraguai porque tem um potencial de aumentar a conta de luz no país vizinho em até 30%.

Itaipu é uma hidrelétrica binacional, com administração dividida igualmente entre Brasil e Paraguai. Mesmo assim, desde 2009, o Brasil paga mais para consumir a energia gerada pela usina. Isso ocorre em razão de um acordo fechado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o governo Bolsonaro conseguiu rever e agora está novamente em xeque.

O antigo acordo permitia que o Paraguai ficasse com a maior parte da energia que não tem o custo de juros e impostos, o que faz a conta de luz do país vizinho ser muito mais barata que a do Brasil.
Em 2018, o Brasil pagou, em média, US$ 38,72 por MWh, enquanto ao Paraguai esse custo saiu a US$ 24,60 MWh. É essa assimetria que o governo brasileiro conseguiu desfazer, gerando reação do lado paraguaio.

Mais de 90% da energia consumida no país vizinho são geradas por Itaipu. Por isso, qualquer alteração nas regras tem impacto substancial na tarifa do Paraguai. No Brasil, cerca de 15% da energia consumida é gerada por Itaipu.

Para ceder, o Paraguai cobrou a construção de mais duas pontes entre os dois países, bancada por Itaipu. O custo estimado é de R$ 1 bilhão. O acordo para a construção das pontes acabou sendo assinado em maio.

Uma das pontes será construída no Rio Paraná, entre o bairro Porto Meira, em Foz do Iguaçu, e o município paraguaio de Puerto Franco, vizinho a Ciudad del Este, onde está localizada a Ponte da Amizade. A outra seria erguida sobre o Rio Paraguai, ligando o município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.

A polêmica gerada pelo Paraguai antecipa as discussões que os dois países terão que fazer para negociar todo o tratado de Itaipu. Em 2023, esse documento precisará ser revisto, após a usina ser completamente amortizada. Todos os trechos que tratam da comercialização de energia poderão ser alterados, o que gera grandes expectativas principalmente do lado paraguaio.

Via
O Globo
Etiquetas

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios