Lava Jato

PF aponta indícios de superfaturamento em contratos de Instituto com filhos do petista

Delegado, no entanto, destaca necessidade de perícias mais aprofundadas sobre contratos

SÃO PAULO — No mesmo documento em que indiciou o ex-presidente Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o delegado da Polícia Federal Dante Pegoraro Lemos afirmou que há indícios de que o Instituto Lula tenha superfaturado contratos de prestações de serviços feitos com empresas dos filhos do petista.

Segundo a Polícia Federal, a G4 Entretenimento, que tem entre seus sócios Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, prestou serviços ao Instituto Lula em quatro projetos distintos: criação de um novo site, Memorial da Democracia, arquivo público do ex-presidente Lula e um portal de políticas públicas.

Contudo, um relatório de atividades prestadas por uma empresa chamada GKR em um processo na Receita Federal que retirou os benefícios tributários do Instituto menciona que a GKR gerenciou os mesmos trabalhos para o Instituto Lula.

O dono da empresa também aparece como responsável pelas comunicações entre a G4 e o Instituto Lula.

“Esse quadro, aliado a outras constatações (relatório policial), apontar, portanto, que o G4 poderia ter funcionado como uma intermediária financeira na prestação de serviços contratados pelo Instituto Lula, com indícios de superfaturamento, os que foram efetivamente praticados pela GKR de Rafael Leite e outros subcontratados ”, afirma.

O delegado, no entanto, afirma que essa afirmação não é possível sem a realização de uma perícia detalhada de todos os aspectos dos trabalhos realizados, seu volume e tempo requeridos. A perícia será executada caso o Ministério Público Federal acredite que seja necessária.

Procurado, o advogado Fábio Tofic Simantob, que defendeu Fábio Luis Lula da Silva, ou Lulinha, criticou a declaração feita pela Polícia Federal.

– O Instituto Lula e a G4 são entidades privadas. A PF, com todo respeito, não tem poder de palpitar nos preços contratados por eles, e muito menos para dizer se está abaixo ou acima do mercado – disse o advogado.

O serviço de digitalização também é investigado

Além disso, a Polícia Federal também identificou a outra empresa ligada aos filhos do ex-presidente Lula, a FlexBR, que recebeu cerca de R $ 106 milhões diretamente do Instituto Lula. Contudo, após a busca e apreensão no Instituto, foi registrado um documento sobre o serviço de “digitalização de imagens” com planejamento de valores pagos para o FlexBR no valor de R $ 435 mil.

A FlexBR pertence a Marcos Claudio Lula da Silva. Com base na análise de mídias apreendida em seu endereço, a Polícia Federal identificou uma conversa entre ele, Sandro e Fábio Luis, ou Lulinha, em um grupo de WhatsApp batizado de “Lulets”.

“Uma conversa analisada, ocorrida no ambiente de descontração relativa, refere-se a uma questão prosaica: de quem seria a responsabilidade pelo pagamento de um boleto de imposto da empresa FlexBR. Uma indagação feita por Fábio Luis Lula da Silva, que não integra o quadro social da empresa e é filho mais velho do ex-presidente Lula. O caso é tratado de forma pouco profissional ”, afirma o relatório da Polícia Federal.

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