Polícia

Polícia Civil indicia três pelo desabamento do Edifício Andrea, em Fortaleza

Dois engenheiros e um pedreiro foram apontados como responsáveis pela tragédia; nove pessoas morreram e sete foram resgatadas com vida dos escombros

RIO — A Polícia Civil do Ceará indiciou, nesta quinta-feira, um pedreiro e dois engenheiros pelo desabamento do Edifício Andrea, em Fortaleza. A tragédia no bairro Dionísio Torres, área nobre da capital cearense, deixou nove mortos e sete feridos em outubro do ano passado.

Segundo laudo da Polícia Civil e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) divulgado nesta quinta-feira, os engenheiros José Anderson Gonzaga dos Santos e Carlos Alberto Loss de Oliveira, além do pedreiro Amauri Pereira de Souza, atuaram de forma “determinante” para a queda do prédio. Os três seriam responsáveis por uma obra que estava sendo realizada nas pilastras do edifício no dia do desmoronamento.

A falta de manutenção adequada da estrutura do edifício, a construção de cômodos na cobertura e um erro na reforma do prédio na véspera do desabamento foram as principais causas da tragédia, segundo o laudo da polícia.

A edificação tinha sete andares e desabou às 10h28 de 15 de outubro de 2019. Os trabalhos de resgate duraram 5 dias, em mais de 103 horas de buscas, e envolveram centenas de bombeiros e voluntários. O prédio, no qual moravam 11 famílias, tinha começado a passar por reparos estruturais um dia antes da queda, segundo moradores e o delegado que investigou o caso.

O indiciamento é parte do inquérito instaurado pela Polícia Civil para investigar as causas do desabamento e servirá de base para o Ministério Público (MP) do Ceará decidir se irá denunciar, ou não, os investigados.

Causas do desabamento

O laudo divulgado nesta quinta-feira apresentou os fatores que causaram o desabamento. São eles, segundo o documento:

— Falta de manutenção adequada da estrutura ao longo da sua existência

— Carga inserida sobre o pavimento da cobertura, erguida após a construção do prédio (construção de cômodos — quartos e banheiro — num espaço de 60 m²)

— Falha da empresa responsável pela reforma e dos seus profissionais prestadores de serviços

— Técnica equivocada durante a obra nos dias 14 e 15 de outubro

— Falta de relatório da reforma e de escoramento das estruturas dos pilares de sustentação

 

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