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Prefeitura diz que fiscais temem reação da milícia na Muzema, e operações terão apoio da Polícia Militar

Segundo coordenador de operações, bando coloca moradores nos imóveis ainda em construção para dificultar ação

RIO — A prefeitura pretende retirar todos os moradores do Condomínio Figueira do Itanhangá, na Muzema, onde um desabamento de dois prédios matou pelo menos nove pessoas — as buscas continuam na tentativa de encontrar até 17 desaparecidos — num prazo de seis meses a um ano. Além das ações judiciais, que garantem liminares a proprietários de imóveis construídos irregularmente, o coordenador de Operações da Secretaria municipal de Infraestrutura e Habitação, coronel José Mauricio Padrone, disse ontem ao GLOBO que enfrenta outra dificuldade: montar equipes para fazer as remoções. Segundo ele, fiscais temem retaliação da milícia, que tem o domínio da região. As operações serão feitas com apoio da Polícia Militar.

— Ninguém quer trabalhar nisso. Além dos riscos por conta dos milicianos, o servidor está sujeito a responder a uma ação judicial. A demolição administrativa ainda não tem respaldo jurídico sólido. Todos culpam a fiscalização do município, mas ninguém quer fazer esse trabalho. Toda a minha equipe responde a processos por isso. Mas, quando os bombeiros derem o aval, vamos começar as demolições e aproveitar para atuar também em outros bairros — afirmou Padrone.

Denúncia de propina
Ele contou que os milicianos, muitas vezes, colocam famílias no imóvel enquanto ainda constroem outros andares dos prédios. Quando casos assim são denunciados, o município precisa recorrer a um chaveiro para abrir a residência, porque os moradores resistem a sair.

— O fiscal fica muito vulnerável a sofrer uma ação judicial. Nesse momento, ninguém fica do lado dele. O defensor público fica do lado dos moradores. Eu mesmo estou respondendo a dois processos desse tipo, no meu CPF. Se tivermos que aguardar decisão judicial, isso (a remoção) demora oito, dez anos. E os milicianos sabem e, por isso, colocam uma família ali —disse o coordenador de operações.

Padrone acredita que, após os desabamentos, o Judiciário dará um tratamento diferente à situação da Muzema. Segundo ele, seis oficiais de Justiça estiveram no condomínio, na última sexta-feira, para intimar proprietários a deixarem imóveis. De acordo com a Defesa Civil municipal, há 13 prédios interditados no entorno do local onde os dois edifícios desabaram.

Ontem, reportagem do “Fantástico”, da TV Globo, mostrou áudios obtidos pelo Ministério Público do Rio em que fiscais — não se sabe se municipais ou de outra esfera de governo — eram citados por milicianos por terem pedido propina de R$ 3 mil para autorizar a instalação de uma loja de material de construção na Muzema.

Via
Agência O Globo
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