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Premier russo renuncia, em sinal de que Putin almeja ocupar posição ao final do atual mandato, em 2024

Medvedev chefiará Conselho de Segurança do Kremlin; presidente quer reformar Constituição para dar mais poder ao chefe do governo e ao Parlamento

MOSCOU – O primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou sua renúncia horas depois de o presidente Vladimir Putin, seu aliado, informar em pronunciamento público que planeja convocar um referendo para mudar a Constituição a fim de dar mais poder ao premier. A renúncia e a planejada reforma constitucional foram interpretadas como um sinal de que Putin, no poder há 20 anos, almeja assumir a chefia do governo quando acabar seu atual mandato, em 2024.

Medvedev renunciou com todo o gabinete, e Putin disse que ele assumirá uma nova posição como chefe do Conselho de Segurança do Kremlin. O premier, que continuará no cargo até que seu substituto seja apontado, disse que a renúncia tem o objetivo de “dar ao presidente a oportunidade de tomar as decisões necessárias” referentes às mudanças na Carta.

A reforma constitucional reduziria os poderes da Presidência e aumentaria os do Parlamento. Ela limitaria a dois o número de mandatos presidenciais possíveis, mesmo que não consecutivos, e a Duma (o Parlamento russo) ficaria responsável pela indicação do primeiro-ministro e dos ministros. O Senado passaria a ter as prerrogativas de confirmar os indicados para comandar os serviços de segurança e os juízes.

Além da especulação de que Putin pretenderia assumir o posto de primeiro-ministro — que ele já exerceu entre o seu segundo e o terceiro mandatos como chefe de Estado —, também comenta-se que o presidente de 67 anos poderia assumir a chefia do Conselho de Estado. Seria uma posição que o jornal britânico Financial Times comparou à do falecido líder chinês Deng Xiaoping (1988-1992), que no final do seu período à frente da China não detinha as posições mais altas na hierarquia formal do país, mas, na prática, era o líder incontestável.

Entre os possíveis candidatos para o cargo de Medvedev estão o ministro da Economia, Maxim Oreshkin; o ministro das Energias, Alexander Novak; e o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, que é creditado por ter dado uma nova vida à capital.

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