Internacional

Presidente de Honduras é acusado de receber subornos milionários de traficantes de drogas

Declarações foram feitas durante julgamento de irmão do presidente, acusado de tráfico internacional

Um promotor de Nova York disse nesta quarta-feira em um tribunal federal americano que, em troca de proteção, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, recebeu milhões de dólares em subornos de traficantes de drogas, incluindo do chefão mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán .

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As explosivas declarações do promotor Jason Richman ocorreram no primeiro dia do julgamento do irmão do presidente, o ex-deputado hondurenho Juan Antonio “Tony” Hernández Alvarado, acusado de negociar com traficantes de sete países para traficar toneladas de cocaína para os Estados Unidos desde 2004, há mais de uma década.

Tony Hernández está preso nos Estados Unidos há quase um ano. Ele enfrenta uma pena mínima de cinco anos de prisão e uma pena máxima de prisão perpétua.

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O réu foi protegido pelo atual presidente (de Honduras), que recebeu milhões de dólares em subornos por tráfico de drogas, de p essoas como Chapo Guzmán, que pessoalmente entregou ao acusado US$ 1 milhão para [repassar ao] seu irmão — disse o promotor Richman ao júri no início do processo, que durará de 10 a 12 dias úteis.

O promotor disse que Tony Hernández pertencia a “uma organização patrocinada pelo Estado que distribuía cocaína há anos” nos Estados Unidos e era protegida por uma rede de oficiais hondurenhos corruptos, incluindo “prefeitos, legisladores, generais das forças armadas, chefes de Estado e a polícia”.

Richman também acusou o ex-deputado de ordenar pelo menos dois assassinatos de traficantes entre 2011 e 2013.

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Delações de ex-traficantes
Vestido de terno azul, o réu ficou calmo e ouviu as acusações com a ajuda da tradução simultânea.

Dois dos 17 irmãos do acusado e do presidente estiveram presentes no tribunal. Um deles, Amílcar Hernández, disse à AFP que as denúncias de vários “criminosos” presos nos Estados Unidos que atuarão testemunhas no julgamento na verdade “são o efeito da luta do presidente contra o narcotráfico”.

Em frente ao tribunal, cerca de 50 hondurenhos agitaram bandeiras de seu país, levantaram cartazes que diziam “liberdade para Honduras” e exigiram a extradição do presidente para os Estados Unidos.

Omar Malone, advogado de defesa, disse ao júri que seu cliente é alvo de criminosos violentos porque seu irmão presidente autorizou a extradição de traficantes de drogas para os Estados Unidos. Ele lembrou o bom relacionamento de Honduras com o governo Donald Trump.

O presidente de Honduras interage com os Estados Unidos como qualquer outro presidente de qualquer outro país — disse ele ao júri.

Juan Orlando Hernández é o aliado de Trump em questões de imigração e segurança, e apertou sua mão na semana passada em Nova York.

Um novo acordo entre os dois países, semelhante ao já assinado com a Guatemala e El Salvador, permitirá que Washington obrigue alguns migrantes a buscar refúgio em Honduras.

Cocaína carimbada
Membro do Congresso de 2014 a 2018, o réu foi acusado de carimbar sua própria cocaína colombiana com as iniciais “TH” e de”acreditar que poderia operar com total impunidade”, afirmou a promotoria em uma moção movida no tribunal em agosto.

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Nesse documento, a acusação diz que o dinheiro da droga financiou campanhas de vários candidatos do Partido Nacional de Honduras, incluindo as do ex-presidente Porfirio Lobo (2010-2014) e de Hernández, eleito em 2013 e reeleito em eleições disputadas em 2017.

O presidente Hernández recebeu de uma das testemunhas da acusação pelo menos US$ 1,5 milhão em dinheiro de drogas em sua primeira campanha e um milhão de lempiras (cerca de US$ 40 mil dólares) na segunda eleição, segundo a acusação.

Ele também diz que Lobo recebeu US$ 2 milhões de dólares da mesma testemunha para sua campanha.

A promotoria diz que vai provar que Lobo e Juan Orlando Hernández conspiraram com o réu e garante que ambos eram “presidentes eleitos com base, pelo menos em parte, nos lucros do tráfico de drogas”.

Lobo e Juan Orlando Hernández negam as acusações, que não foram formalizadas até agora formalizada pela Justiça americana. Após grandes manifestações da oposição exigindo a sua renúncia, Hernández disse na semana passada à ONU que há “uma campanha de difamação” contra ele liderada por ex-traficantes furiosos por terem sido extraditados para os Estados Unidos.

A promotoria planeja chamar cinco ex-prisioneiros nos Estados Unidos como testemunhas que alegam que foram cúmplices do réu, incluindo Alexander Ardon, ex-prefeito que se entregou à Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) em fevereiro.

Outra testemunha seria Devis Leonel Rivera Maradiaga, ex-líder do cartel hondurenho Los Cachiros que declarou em 2017 ter subornado Tony Hernández quando ele era deputado, no contexto do julgamento de Fabio Lobo, filho do ex-presidente Lobo que em 2017 foi condenado em Nova York a 24 anos de prisão por tráfico de drogas.

Via
O GLOBO
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