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Protestos contra o racismo ganham tom mais pacífico no nono dia nos EUA

Manifestações após a morte do ex-segurança George Floyd continuam em diversos locais do país e também no exterior.

No dia em que foram anunciadas novas acusações contra os ex-policiais envolvidos na morte de George Floyd (leia abaixo), o clima das manifestações antirracismo nos Estados Unidos se manteve bem mais tranquilo do que nos anteriores.

Até o início da noite, milhares de pessoas marchavam pelas ruas de cidades como Washington, Los Angeles e Nova York, sem registros de incidentes, prisões ou atos de vandalismo.

Neste nono dia dos atos, o secretário de Defesa dos EUA, Mike Esper, mostrou discordância com o presidente Donald Trump ao se posicionar publicamente contra o uso de militares para conter os manifestantes. Na segunda-feira, Trump afirmou que poderia enviar tropas às cidades onde houvesse confrontos com a polícia.

Esper disse que a Lei da Insurreição, que permitiria a Trump usar militares da ativa para conter os protestos, deveria ser invocada “apenas nas situações mais urgentes e terríveis” e que “não estamos em uma dessas situações agora”.

Os quatro ex-policiais acusados de envolvimento na morte de George Floyd: da esquerda para a direita, Derek Chauvin, Tou Thao (acima) e J. Alexander Kueng e Thomas Lane (abaixo) — Foto: Minnesota Department of Corrections and Hennepin County Sheriff's Office/Handout via Reuters.
Os quatro ex-policiais acusados de envolvimento na morte de George Floyd: da esquerda para a direita, Derek Chauvin, Tou Thao (acima) e J. Alexander Kueng e Thomas Lane (abaixo) — Foto: Minnesota Department of Corrections and Hennepin County Sheriff’s Office/Handout via Reuters.

Também nesta quarta o procurador-geral de Minnesotta, Keith Ellison, ampliou as acusações contra o policial Derek Chauvin, além de acusar também outros três policiais que atuaram com ele no dia em que Floyd foi detido e morreu. Embora não apareçam no vídeo, eles ajudaram a imobilizar o ex-segurança.

Agora, Chauvin é acusado de homicídio em segundo grau e Thomas Lane, J. Kueng e Tou Thao são acusados ajudar e favorecer homicídio em segundo grau (assassinato intencional não premeditado, quando o autor tem intenção de causar danos corporais à vítima).

Até então, apenas Chauvin havia sido detido e acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar) e assassinato em terceiro grau (quando é considerado que o responsável pela morte atuou de forma irresponsável ou imprudente).

Veja abaixo um breve resumo dos protestos desta quarta (3)

  • Tropas de reforço enviadas para Washington DC e que começariam a deixar a capital do país já nesta quarta receberam ordens para ficar. A Secretaria de Defesa reverteu a determinação para que 200 soldados retornassem a suas bases originais.
  • Também em Washington, o toque de recolher foi adiado para mais tarde. Em vez de começar às 19h, ele terá início às 23h. Na noite de terça, foram realizadas 19 prisões no distrito, em comparação com 288 na véspera.
  • O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse que, apesar de alguns incidentes, os protestos da noite de terça-feira foram “esmagadoramente pacíficos” e mais tranquilos que nos dias anteriores.
  • Quincy Mason Floyd, filho de George Floyd, visitou o lugar onde seu pai morreu, em Minneapolis, e pediu que justiça seja feita.
  • No exterior, foram registradas manifestações com milhares de pessoas em LondresCidade do CaboHelsinqueReykjavíkEstocolmo e Atenas.
Quincy Mason Floyd (direita) se emociona ao visitar o local onde o pai, George Floyd, morreu, em Minneapolis, ao lado do advogado de sua família, Ben Crump, na quarta-feira (3) — Foto: Kerem Yucel/AFP
Quincy Mason Floyd (direita) se emociona ao visitar o local onde o pai, George Floyd, morreu, em Minneapolis, ao lado do advogado de sua família, Ben Crump, na quarta-feira (3) — Foto: Kerem Yucel/AFP

Quincy Mason Floyd, filho de George Floyd, esteve nesta quarta no local onde seu pai morreu, em Minneapolis, e pediu por justiça.

“Nenhum homem ou mulher deveria estar sem seus pais…queremos justiça pelo que está acontecendo agora mesmo”, disse, antes do anúncio de que as acusações contra Derek Chauvin, policial responsável pela morte de Floyd, seriam ampliadas, e que os demais policiais do caso também seriam acusados.

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