Política

Representante do Iabas diz que Estado sabia da compra de carrinhos de anestesia no lugar de respiradores

Em depoimento À Alerj, Hélcio Watanabe afirmou que Edmar Santos autorizou a compra do equipamento

RIO — Em depoimento para a Comissão Especial de Fiscalização dos Gastos ao Combate do Coronavírus da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta segunda-feira o superintendente do Iabas, Hélcio Watanabe, afirmou que a compra de carrinhos de anestesia no lugar de respiradores foi autorizada pelo ex-secretário de Saúde Edmar Santos. Segundo Watanabe, foram comprados 235 equipamentos e que eles já se encontram no Aeroporto do Galeão.

— Isso passou por validações técnicas, antes da efetiva compra. Vale também ressaltar que o carrinho de anestesia funciona como respirador, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB). E muitas instituições validam o uso desse instrumento como ventilador no período de Covid. Depois que passar o período da Covid esses aparelhos poderão ser utilizados em outros hospitais. Por isso, entendo que esse foi um investimento muito melhor do que se tivéssemos comprado apenas ventiladores. Os carrinhos de anestesia serão mais úteis — afirmou.

A compra teria sido a gota d’água para o governador Wilson Witzel romper o contrado com o Iabas. Os equipamentos são de um modelo (AX400) cerca de 500% mais caros do que o comprado pelo Ministério da Saúde há dois meses. Além de mais custosos, eles foram classificados como “carrinho de anestesia” segundo a Anvisa, e não são o ideal para o momento.

O Iabas foi o escolhido pelo governo do Rio para gerir e construir sete hospitais de campanha em todo o estado. Apesar da promessa das unidades serem entregues até o dia 30 de abril, somente parte do hospital do Maracanã e de São Gonçalo foram entregues. Este último apenas após a secretaria de Saúde romper o contrato com a Organização Social. O contrato para os Hospitais de Campanha é um dos 97 investigados pelo Tribunal de Contas do Estado por suspeitas de irregularidades.

O depoimento do superintendente irritou alguns parlamentares que avaliaram que Watanabe se esquivava de algumas respostas. O médico afirmou que era responsável pela gestão dos profissionais de saúde e não pelos contratos. Mesmo assim, sua assinatura aparece no termo acordado entre Estado e Iabas.

— O repasse inicial foi muito inferior a necessidade para construção das sete unidades. No contrato inicial não havia uma previsão de data de entrega, mas havia um comprometimento de conseguir entregar o mais cedo o possível — disse.

Ao ser questionado pela deputada Marta Rocha o que considerava cedo, Watanabe tentou explicar as mudanças pedidas pela Secretaria, mas não deu uma previsão. Ele ainda chegou a firmar que seis unidades estão prontas desde o dia 2 de junho, faltando apenas o hospital de Casemiro de Abreu. Um relatório da Alerj, entretanto, afirma o contrário. Até o momento apenas partes das unidades do Maracanã e São Gonçalo foram inauguradas:

— Todo mundo pensa no hospital de campanha com tendas macas e soro. O que foi feito foram mais de 40 mudanças no projeto. A primeira solicitação era a campanha de 200 leitos para ter 40 UTIs, mas se passou para o dia 30 abril para o dobro de unidades de Terapia Intensiva. Isso impacta nos projetos de construção, contratação e equipamentos. Tudo que a gente tentava comprar ou não tinha ou era preciso pagar a vista ou antecipado — afirmou.

 

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