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Responsável por hospitais de campanha no Rio e citada pela Lava Jato, Organização Social afirma que fará auditoria interna

MPF aponta ligação do Iabas com grupo acusado de fraudes na saúde do estado

RIO – Responsável pela administração de hospitais de campanha no Rio, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) fará uma auditoria interna  em razão das suspeitas apontadas pelo Ministério Público Federal (MPF) de envolvimento da Organização Social (OS) com acusados de fraude na Saúde do Rio presos na operação Lava Jato.

A IABAS nega o envolvimento de membros de sua diretoria com os acusados, o principal deles o empresário Mário Peixoto, mas vai apurar se algum funcionário teve participação no esquema. Na operação dessa quinta-feira, o MPF apontou que o grupo investigado tentava expandir seus negócios para os hospitais de campanha do Rio, lucrando em unidades administradas pelo IABAS.

O instituto afirma que a auditoria será conduzida por seu setor de compliance, apoiado por uma empresa especializada independente, contratada exclusivamente para esse fim, e suas conclusões serão disponibilizadas aos órgãos de controle do Estado do Rio.

– Ninguém da direção atual do Iabas tem conhecimento de quem são essas pessoas (investigadas). Posso responder por eles (atual direção). Pelo passado, não posso. Portanto, é zero a nossa ligação. Nós não fomos alvo dessa operação. Ninguém veio perguntar nada pro Iabas, buscar nada na sede do Iabas – afirmou o advogado Gustavo Guedes, em entrevista

Na operação dessa quinta-feira, o MPF apontou ainda que o Iabas teria contratado outra OS com ligação com Mário Peixoto, o Instituto Data Rio (IDR), para fazer a obra do Hospital de Campanha do Maracanã, na Zona Norte do Rio. Além disso, os procuradores afirmam que foram encontradas planilhas sobre os hospitais administrados pelo Iabas com pessoas ligadas a Peixoto.

O advogado Gustavo Guedes nega que o Iabas tenha subcontratado o IDR. Segundo ele, o instituto contratou diversas empresas para fornecerem serviços ligados aos hospitais de campanha,  e afirmou que desconhece os quadros societários delas.

– Contratamos empresas conhecidas e conceituadas que forneceram serviços para gente. A composição societária dessas empresas  a gente desconhece. Desconhecemos que essas pessoas (investigadas pela Lava Jato) tenham ligação com essas empresas. Aquela IDR a gente não contratou, não tem relação direta com eles – afirma.

Sobre as planilhas encontradas, o advogado afirmou causar estranheza os documentos estarem nas mãos de terceiros, mas frisou que os documentos passaram pelas mãos de pessoas da própria secretaria de Saúde do Rio.

– Nós não temos nenhum conhecimento sobre essas pessoas (investigadas). Tive acesso às planilhas apreendidas e nos causa muita estranheza que essas planilhas tivessem na mão de terceiros, mesmo que nós tenhamos compartilhado esses dados com a própria secretaria de Saúde. Essas planilhas não ficaram apenas dentro do instituto. Terceiros, agentes públicos, também tiveram contato com essas planilhas. Mas me chama atenção o fato de que essas planilhas tinham dados errados sobre número de leitos, por exemplo. Então indica que não saiu do Iabas – explica Gustavo Guedes.

Peixoto foi preso pela operação Lava Jato na manhã dessa quinta-feira, acusado de fazer parte de um grupo que pagou vantagens indevidas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para manter a IDR administrando UPAs no Rio. Além disso, segundo as investigações, o empresário teria influência em várias Organizações Sociais que possuem contratos com o governo do estado.

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