Economia

Rodovias do Tietê não paga investidores e preço de suas debêntures cai a zero

Debenturistas da companhia, em recuperação judicial, tomaram calote e agora têm um papel de preço zero nas mãos; mesmo que haja valor a recuperar, não se sabe quando nem quanto o investidor conseguirá receber

Clientes da XP Investimentos que investiram nas debêntures da Rodovias do Tietê (RDVT11) receberam ontem um comunicado da corretora informando que seus títulos teriam seu preço unitário marcado a zero reais. Ou seja, agora eles têm em mãos um papel que, por ora, vale zero.

Os investidores pediram vencimento antecipado da debênture no último dia 8, forçando a companhia a entrar em recuperação judicial.

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A Rodovias do Tietê deveria ter pago os debenturistas no último dia 13. Mas como não tinha como fazê-lo, o papel entrou em situação de default, o que na prática é um calote. Eu conto os detalhes da história mais adiante.

Os títulos eram debêntures incentivadas, daquelas com isenção de imposto de renda para pessoas físicas, e foram muito populares entre esses investidores quando foram lançados. Agora, esses investidores deverão entrar na fila de credores da empresa para tentar receber alguma coisa na recuperação judicial.

O tal do risco de crédito
A marcação a zero não significa necessariamente que os investidores perderam tudo. Mas ainda não é possível precisar quando ou quanto eles vão conseguir receber.

Essa marcação a mercado afetará também os preços das cotas dos fundos de investimento que tinham papéis da companhia e que precisam marcar suas cotas a mercado.

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Debêntures são títulos de renda fixa, mas isso não significa que seu risco seja necessariamente baixo.

Esses papéis são títulos de dívida, isto é, quem os adquire está emprestando dinheiro para a empresa emissora e está totalmente exposto ao risco da companhia.

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Isto é, o investidor confia que a empresa não vai ter problemas financeiros e conseguirá remunerá-lo na data do vencimento.

O caso da Rodovias do Tietê é bastante educativo para o investidor pessoa física brasileiro que hoje se vê obrigado a buscar ativos com mais risco para ter uma rentabilidade significativa. Afinal, a Selic está em seu patamar histórico mais baixo.

Títulos de renda fixa mais rentáveis que os títulos públicos costumam atrair muito esse público, especialmente quando têm isenção de imposto de renda. É que muitas vezes eles não apresentam volatilidade, ao contrário das ações, cujos preços flutuam na bolsa todos os dias.

Só que os preços dos títulos de dívida, públicos ou privados, também flutuam. E frequentemente as pessoas se esquecem de que crédito privado – em que pese que precise começar a ser considerado pelos investidores – tem riscos, inclusive de se perder tudo num calote.

Fonte: Seu Dinheiro

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Seu Dinheiro
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