Economia

Servidor federal ganha quase o dobro de trabalhador do setor privado, diz Banco Mundial

Diferença de salários é, em média, de 96% para profissionais com cargos semelhantes, o maior porcentual dentre 53 países comparados pela instituição financeira internacional.

Um estudo do Banco Mundial, divulgado nesta quinta-feira (9), apontou que em 2017 os servidores federais tinham, em média, um salário 96% maior que profissionais da iniciativa privada em cargos semelhantes, na mesma área de atuação.

De acordo com o Banco Mundial, a diferença no Brasil entre os salários do setor público e do privado é a maior dentre os 53 países comparados pela instituição financeira. E fica acima da média internacional, de 21%.

Veja também: Filha do bicheiro Maninho atingida por tiros na Zona Oeste do Rio teve pai, marido e irmão assassinados

O estudo também mostrou que reajustes salariais acima da inflação dados a servidores, mesmo em períodos de queda da arrecadação, foram o principal motor para o aumento da folha de pagamentos dos funcionários ativos da União e dos estados, nos últimos anos.

O gasto com funcionários ativos é, atualmente, o segundo maior grupo de despesa do governo federal, atrás apenas da Previdência. “Grande parte da pressão nas contas públicas vem da folha de pagamentos e da Previdência, que caminham juntas. O que é feito em relação à folha acaba tendo repercussão nos inativos”, explica Daniel Ortega, especialista sênior para o setor público do Banco Mundial.

Nos estados, o prêmio salarial é bem menor, 36%, mas ainda acima da média dos países pesquisados pelo banco. Já no âmbito municipal, praticamente não há disparidade entre as remunerações. Na média geral, sem a desagregação por esferas de governo, a diferença salarial do servidor brasileiro é de 19%, de acordo com o levantamento.

Relator no STF vota a favor de permitir redução de salário de servidor por estados e municípios
O Banco Mundial analisou os microdados da folha de pagamentos do governo federal a partir do Sistema Integrado de Administração de Pessoal (Siape), e mostrou que o número de servidores no Executivo cresceu 10,5% entre 2008 e 2018. Já a remuneração média avançou 14,1% acima da inflação – com forte expansão até 2010. Com isso, o gasto total com pessoal teve um aumento real de 25,9%.

Veja também: Aos 97 anos, John B. Goodenough passa a ser a pessoa mais velha a ganhar o Nobel

Já no setor público estadual, o número de servidores ficou praticamente estável (0,5%) no período analisado, que vai de 2003 a 2017, enquanto a remuneração média disparou 78% acima da inflação.

Os reajustes se concentraram no período entre 2003 e 2014. O resultado foi um crescimento real de 78,9% do gasto com pessoal. A análise, no caso dos estados, foi feita com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada pelo Ministério da Economia.

Servidores federais receberam R$ 3,4 bilhões em pagamentos irregulares

Oportunidade para reforma
Os cálculos do Banco Mundial apontam que 26% dos servidores federais devem se aposentar até 2022.

“Isso abre uma janela de oportunidade para reformas que afetem os novos quadros e dá a oportunidade para o governo trabalhar tanto a área fiscal como a de gestão de pessoas”, afirmou Ortega. Segundo ele, movimento similar ocorrerá nos estados nos próximos anos, principalmente nas áreas de educação e saúde.

Veja também: Programa do MEC abrirá 1,5 milhão de vagas em educação profissional

As recomendações da instituição financeira para uma futura reforma administrativa seguem quatro linhas principais:

redução dos salários iniciais
aumento do tempo médio até o topo da carreira
corte no número de carreiras (atualmente são 300, nos cálculos do banco), o que reduz a transparência, prejudica a produtividade e favorece categorias com maior força de negociação, de acordo com o relatório
redução das taxas de reposição dos servidores
Nas carreiras jurídicas do governo federal, por exemplo, a remuneração inicial bruta era de R$ 24,1 mil em 2018. E os servidores demoravam, em média, dez anos para chegar ao topo da carreira. Um professor de ensino superior, por outro lado, tinha remuneração inicial de R$ 10,3 mil e demorava 25 anos até o topo.

As estimativas do Banco Mundial mostram que se os salários iniciais dos novos contratados fossem reduzidos a, no máximo, R$ 5 mil e o tempo necessário para se chegar ao fim de carreira fosse elevado, o governo federal economizaria R$ 104 bilhões até 2030. Já se os salários iniciais fossem reduzidos em 10%, a economia acumulada, no mesmo período, seria de R$ 26,3 bilhões.

Veja também: Armas de agressor de violência doméstica terão que ser apreendidas

Previsão do governo
Presente ao evento em que o estudo foi divulgado, em Brasília, o secretário especial de Desburocratização do Ministério da Economia, Paulo Uebel, disse que a proposta de reforma administrativa deve ser concluída ainda neste mês de outubro.

De acordo com ele, as mudanças previstas na reforma administrativa vão atingir apenas os servidores que vierem a ser contratados depois que as novas regras começarem a valer. Ou seja, os direitos adquiridos pelos atuais servidores, disse Uebel, serão mantidos.

“A atual forma de gestão de pessoas não é satisfatória. Os serviços de ponta estão mal avaliados pela população, os servidores públicos não se sentem motivados e o custo de pessoal é insustentável no longo prazo”, disse ele ao defender a reforma administrativa.

Em entrevista ao G1 em agosto, Uebel afirmou que a proposta deve prever, entre outras mudanças, a possibilidade de o governo federal contratar celetistas e temporários via concurso.

Segundo o secretário, o governo pretende, com essa mudança, ganhar agilidade na demissão de funcionários quando houver necessidade de cortar gastos.

Via
G1
Etiquetas

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios